Sergipe

20/12/2011 às 15h19

Daniela Mercury invade Aracaju na Virada do Ano

Redação Portal A8

O Réveillon 2012 será agitado na Orla de Atalaia, em Aracaju. A cantora Daniela Mercury vai embalar o Ano Novo com o axé da música baiana. Consagrada no Brasil e no mundo, Daniela vai apresentar o show ‘Canibália`, projeto que foi gravado em DVD na praia de Copacabana no Réveillon de 2011.

No DVD Canibália, gravado ao vivo em show no Rio de Janeiro, Daniela Mercury irmana os ritmos do Brasil sob a ótica carnavalizante do afeto e da miscigenação.

No olhar, Daniela Mercury deixa transparecer a emoção e a alegria de ver a multidão cantando sozinha os versos de O Canto da Cidade (Daniela Mercury e Tote Gira), faixa-título do álbum de 1992 que sedimentou a explosão da cantora baiana em território nacional. Faz 20 anos que Daniela Mercury é a cor e o canto do Brasil. E a multidão que entoa O Canto da Cidade - no número apoteótico que encerra o show gravado ao vivo no Réveillon carioca de 2011, nas areias da praia de Copacabana - é de proporções igualmente nacionais. São mais de um milhão de pessoas - vindas de toda parte do Brasil e do mundo - que consagram a mais importante cantora baiana de música afro-brasileira, conhecida como axé music. Mas Daniela não está sozinha no palco miscigenado. Estão lá também a baiana Banda Didá, o grupo carioca Afro Lata, o amazonense Boi Bumbá Garantido e os ritmistas e passistas da escola de samba carioca Unidos da Tijuca - símbolos da integração rítmica nacional proposta pelo show. O número é um dos mais emblemáticos do DVD Canibália - Ritmos do Brasil - Ao Vivo na Praia de Copacabana, superprodução das empresas Páginas do Mar / Canto da Cidade, realizada pelo Canal Brasil sob a coordenação da própria Daniela Mercury e viabilizada pelos patrocínios da Vivo e do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Réveillon de Copacabana em 2011 (Foto: assessoria )
No DVD Canibália, Daniela Mercury irmana e integra os ritmos do Brasil sob a ótica carnavalizante do afeto e da miscigenação antropofágica. É sintomático que Swing da Cor (Luciano Gomes) - o samba-reggae que catapultou a cantora ao estrelato nacional ao estourar em 1991, um ano após ser lançado em disco - seja introduzido no show com citação de Tropicália (Caetano Veloso), o hino-manifesto do movimento arquitetado por Caetano Veloso e Gilberto Gil em 1967. Assim como também é sintomático que Daniela faça um dueto virtual com Carmen Miranda (1909 - 1955), ícone dos Carnavais brasileiros dos anos 30 aos 50, no samba O Que É que a Bahiana Tem (Dorival Caymmi), grafado com o ‘h` do título original. A folia popular que gera o projeto multimídia Canibália, iniciado com CD lançado em 2009.

A baiana Daniela Mercury tem e sempre teve ambição artística. Captado em DVD sob a direção de Paulo Fontenelle, do Canal Brasil, o show desenvolve e amplia o conceito do álbum de estúdio Canibália, editado em 2009. "O DVD firma o projeto Canibália, um manifesto de união e afetos", conceitua a cantora em depoimento do making of exibido nos extras do DVD (nos quais é possível também ver Como Nossos Pais, a música de Belchior que Daniela canta desde o início da turnê). A direção do show é dividida pela artista com Vavá Botelho, fundador do Balé Folclórico da Bahia. Vavá é presença fundamental porque o show é também um espetáculo de dança. Bailarina pela própria natureza, Daniela Mercury enfatiza a dança neste show que propõe a integração de diversas formas de arte. Música e dança se entrelaçam num balé mulato que celebra a negritude e expõe telas de pintores como Cândido Portinari (1903 - 1962) e Carybé (1911 - 1997) no cenário idealizado por Gringo Cardia, além de imagem do fotógrafo Mário Cravo Neto (1947 - 2009), a quem Daniela dedica o DVD. A dedicatória é extensiva a Neguinho do Samba (1955 - 2009) - baiano que sintetizou a batida do samba-reggae, exportada pelo Brasil para o mundo - e a Ramiro Musotto (1963 - 2009), percussionista que sempre expôs em seu trabalho o conceito de miscigenação.

Não por acaso, aliás, o roteiro do show Canibália abre com tema instrumental de Musotto, Mbira, parceria do percussionista com Santiago Vazquez. O tema evoca ao mesmo tempo a cultura africana e a indígena, bases da mestiçagem nacional que pauta o espetáculo. Já neste primeiro número os tambores ressoam no passo das coreografias de Daniela e da trupe de bailarinos, presenças iluminadas em cena. Na sequência, o pot-pourri Benção do Samba celebra a cadência bonita da terra, aglutinando Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso), O Samba da Minha Terra (Dorival Caymmi) e o Samba da Bênção (Vinicius de Moraes e Baden Powell). Benção pedida no pot-pourri seguinte, Preta, a Dona Ivone Lara, nobre dama do samba carioca que completou 90 anos em 2011. Integrando os sambas do Rio e da Bahia, Daniela Mercury junta Eu Sou Preto (J. Velloso e Mariene de Castro) e Sorriso Negro (Adilson Barbado, Jair Carvalho e Jorge Portella), faixa-título do álbum lançado por Ivone em 1981, aditivada com um toque de rap, um dos símbolos mais fortes da cultura negra musical da atualidade.

Propagadora orgulhosa do samba-reggae de sua terra, a cantora saúda Neguinho do Samba ao convocar a baiana Banda Didá para embasar com o toque feminino de sua percussão os sucessos O Mais Belo dos Belos (Valter Farias, Guiguio e Adaílton Poesia), Por Amor ao Ilê (Guiguio) e Ilê Pérola Negra (Miltão, Rene Veneno e Guiguio). A saudação a Neguinho feita nestes temas que reverenciam o Ilê Aiyê - um dos mais tradicionais blocos afro da Bahia - se torna essencial porque o som criado por Neguinho está enraizado no trabalho de Daniela e de grande parte da música produzida na Bahia. O mestre do samba criou células rítmicas que são uma das identidades mais fortes e perenes da música do Brasil, inclusive face aos olhos externos.

DVD Canibália foi gravado ao vivo em show no Rio de Janeiro, Daniela Mercury irmana os ritmos do Brasil sob a ótica carnavalizante do afeto e da miscigenação. (Foto: assessoria)
Em vez de delimitar fronteiras, o show Canibália - Ritmos do Brasil as demole em nome da integração rítmica (inter)nacional. O reggae Sol do Sul (Daniela Mercury e Gabriel Povoas) aquece a ideia de uma América Latina irmanada por seus afetos, ritmos e calores. Minas com Bahia (Chico Amaral) propõe a integração do universo montanhoso das Geraes com o litoral de Salvador e arredores. Neste número, sem perder o profissionalismo, a cantora deixa entrever o orgulho da mãe coruja que recebe no palco seu filho Gabriel Povoas. Codiretor do show, Povoas toca violão e faz dueto vocal com Daniela em número marcado também pela afetividade.

Faixa-título do terceiro álbum de Daniela, Música de Rua (Daniela Mercury e Pierre Onasis) se integra perfeitamente ao conceito de celebração do show, apresentado ao ar livre, de graça, para milhões. E vem das ruas de Vigário Geral - outrora símbolo da violência de um Rio de Janeiro que se torna mais pacificado a cada dia - a batida percussiva do grupo Afro Lata, arregimentado por Daniela para embasar com seu baticum o pot-pourri que junta O Reggae e o Mar (Daniela Mercury e Rey Zulu) e Batuque (Rey Zulu e Genivaldo Evangelista).