EUA anunciam controle da Venezuela após captura de Maduro e ação militar gera reação internacional
Governo venezuelano denuncia agressão, países da América Latina e Espanha condenam intervenção e pedem solução pacífica
A invasão militar dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro provocaram forte reação internacional neste fim de semana. Em pronunciamento no último sábado (3), o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que os EUA passarão a administrar o país até que, segundo ele, seja possível realizar uma “transição segura de poder”.
Trump declarou que as forças norte-americanas neutralizaram completamente as defesas venezuelanas e capturaram Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, durante uma operação noturna em Caracas.
Ambos, segundo o presidente, foram levados para os Estados Unidos e indiciados no Distrito Sul de Nova York por acusações de narcoterrorismo. O republicano também afirmou que nenhum militar norte-americano foi morto ou ferido na ação.
Ainda durante a declaração, Trump anunciou que o setor petrolífero venezuelano passará a ser administrado por empresas dos Estados Unidos. Ele disse que companhias norte-americanas investirão bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura do país e ameaçou realizar uma nova ofensiva militar caso haja resistência. A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo conhecidas do mundo.
Em resposta, o governo venezuelano divulgou um comunicado oficial repudiando o que classificou como “gravíssima agressão militar” e acusou os Estados Unidos de tentar impor uma guerra colonial para se apoderar de recursos naturais, como petróleo e minerais. Segundo Caracas, ataques atingiram áreas civis e militares da capital e dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
O governo de Maduro afirmou que a ação viola a Carta das Nações Unidas e anunciou que levará o caso ao Conselho de Segurança da ONU, ao secretário-geral António Guterres, à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e ao Movimento dos Países Não Alinhados. O país também declarou que se reserva o direito de legítima defesa e convocou a população e as forças armadas para mobilização em defesa da soberania nacional.
No domingo (4), Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta condenando a ação unilateral dos Estados Unidos. Os países expressaram “profunda preocupação e rechaço” à operação militar, afirmando que ela fere princípios fundamentais do direito internacional, como a soberania dos Estados e a proibição do uso da força.
A nota defende que a crise venezuelana seja resolvida por meios pacíficos, por meio do diálogo e da negociação, sem interferência externa. Os governos também alertaram contra qualquer tentativa de controle ou apropriação estrangeira de recursos naturais venezuelanos e pediram a atuação da ONU e de organismos multilaterais para reduzir as tensões e preservar a paz regional.
Fonte: Agência Brasil
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