Adoçantes: aliados ou vilões?
Especialista da Estácio alerta para uso consciente e sem excessos
Com a crescente busca por alternativas ao açúcar, os adoçantes ganharam espaço na rotina de milhões de brasileiros. Presentes em cafés, refrigerantes, sobremesas e uma infinidade de produtos industrializados, eles costumam ser vistos como uma opção mais saudável para quem deseja emagrecer ou controlar os níveis de glicose. Mas será que substituir o açúcar por adoçante é sempre uma boa ideia?
O tema voltou ao centro dos debates após a divulgação de estudos que investigam possíveis efeitos dos adoçantes artificiais sobre a saúde intestinal e o metabolismo. Pesquisas recentes apontam que determinadas substâncias podem interferir na microbiota intestinal, influenciar a resposta do organismo à glicose e até provocar alterações em mecanismos celulares. Embora os resultados ainda estejam sendo analisados pela comunidade científica, especialistas reforçam a necessidade de um olhar equilibrado sobre o assunto.
De acordo com a coordenadora do curso de Nutrição da Estácio Sergipe, Dra. Anne Karoline de Souza Oliveira, nutricionista, mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos e doutora em Ciências da Saúde, o debate precisa ser conduzido com responsabilidade científica, evitando conclusões precipitadas. “Estudos recentes vêm demonstrando possíveis impactos de alguns adoçantes sobre a microbiota intestinal, o metabolismo da glicose e mecanismos celulares, especialmente em modelos animais. No entanto, é importante destacar que isso não significa que o uso de adoçantes deva ser demonizado ou proibido de forma generalizada”, explica.
Segundo a especialista, os adoçantes ainda podem desempenhar um papel importante em situações específicas, especialmente para pessoas com diabetes ou para quem está em processo de redução do consumo de açúcar. “Na prática clínica, eles podem ser úteis na transição para hábitos alimentares mais saudáveis, no manejo glicêmico de pacientes diabéticos e em estratégias individualizadas de reeducação alimentar”, afirma.
O alerta, no entanto, está relacionado ao consumo indiscriminado e à falsa sensação de segurança criada pelos produtos classificados como “zero açúcar”. Para Anne Karoline, retirar o açúcar da dieta não garante, por si só, uma alimentação saudável. “O maior problema talvez esteja no uso indiscriminado e na falsa percepção de que ‘zero açúcar’ automaticamente significa saudável. Hoje entendemos que saúde metabólica envolve muito mais do que apenas retirar sacarose da alimentação. Ela está relacionada à qualidade global da dieta, ao consumo de ultraprocessados, ao padrão alimentar, ao sono, à prática de atividade física e à saúde intestinal”, destaca.
A especialista lembra ainda que o excesso de alimentos ultraprocessados, mesmo aqueles sem açúcar adicionado, pode contribuir para hábitos alimentares inadequados e dificultar a construção de uma relação mais equilibrada com a comida.
Para ela, o foco deve estar na educação alimentar e não apenas na substituição de ingredientes. “Mais do que trocar açúcar por adoçante, precisamos ensinar as pessoas a reconstruírem sua relação com a comida e reduzirem a necessidade constante de estímulos intensamente doces”, conclui.
Diante do avanço das pesquisas e do aumento da oferta de produtos adoçados artificialmente, especialistas recomendam que as escolhas alimentares sejam feitas de forma individualizada, com orientação profissional quando necessário. A moderação continua sendo a principal recomendação para quem busca saúde e qualidade de vida sem abrir mão do sabor.
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