Produção agrícola: puxada pelo milho, Brasil deve ter safra recorde em 2022
Números são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, divulgado hoje (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), prevê que a safra brasileira de leguminosas, cereais e oleaginosas deve alcançar 261,9 milhões de toneladas ainda em 2022.
Segundo o IBGE, esse é o resultado de um novo recorde na série histórica e representa o aumento de 8,7 milhões de toneladas em relação ao ano de 2021. Para Carlos Alfredo Guedes, gerente de agricultura do IBGE, o milho é o produto recorde, com um crescimento de 35,5% frente ao ano anterior.
“A produção está se recuperando de problemas climáticos em 2021, como a falta de chuvas. Essa recuperação ajuda a explicar a produção em 2022. Além disso, também houve crescimento de área do milho 2ª safra, incentivado pelos bons preços que os produtores têm conseguido nos últimos anos”, disse Guedes, em nota.
Soja
A produção de soja, principal commodity do país, manteve-se em 119,5 milhões de toneladas, o que representa um aumento mensal de 0,6%, entretanto, redução de 11,4% em comparação à obtida no ano anterior, com queda de 15,6% no rendimento médio. “Embora a área colhida tenha crescido 4,9%, problemas climáticos derrubaram a produção de soja em 2022”, disse Barradas.
Trigo
De acordo com o gerente de agricultura, o trigo é um produto cuja produção não é autossuficiente. A estimativa da produção de trigo foi de 9,6 milhões de toneladas, declínio de 0,9% em relação a agosto e aumento de 23% em relação a 2021.
“Consumimos em torno de 12 ou 13 milhões de toneladas, portanto, ainda teremos que importá-lo, mas bem menos do que em anos anteriores. Essa produção de 9,6 milhões de toneladas é um recorde para o Brasil. Ucrânia e Rússia são dois grandes exportadores de trigo e, com a guerra, os preços estão elevados. Os produtores, de olho nessa melhora dos preços, aumentaram as áreas aqui no país”, afirmou.
Café
Conforme o levantamento, a estimativa da produção brasileira de café para 2022, considerando-se as duas espécies - arábica e canéfora - foi de 3,1 milhões de toneladas, ou 52,3 milhões de sacas de 60 quilos, queda de 2,7% em relação a agosto e aumento de 6,6% em relação a 2021.
“A produção do café arábica deveria ter crescido mais neste ano em decorrência da bienalidade positiva da safra. Isso não aconteceu, pois ano passado tivemos um inverno muito frio, inclusive com ocorrência de geadas nas regiões mais frias de cultivo desse produto. Isso fez com que o potencial de produção da safra de 2022 fosse reduzido”, afirmou o gerente da pesquisa, Carlos Barradas.
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