Sergipe

09/03/2020 às 13h58

Empresário forja próprio sequestro para tentar pagar alguns compromissos

SSP/SE

Enquanto prestava esclarecimentos como suposta vítima de extorsão mediante sequestro, um empresário, de 44 anos de idade, recebeu voz de prisão nas dependências do Centro de Operações Policiais Especiais (COPE). O caso ocorreu na tarde da última sexta-feira (6).

De acordo com as investigações, na noite do dia 4 de março, os policiais do COPE e da Divisão de Inteligência Policial (Dipol) estiveram com familiares e amigos do empresário, quando tomaram conhecimento de que naquele dia, o empresário teria sido sequestrado quando entrava no próprio veículo, que estava estacionado em frente ao edifício do escritório dele, no bairro Jardins.

O homem é empresário do mercado financeiro, e ao sequestrá-lo, os supostos autores do crime passaram a se comunicar com a família, exigindo senhas de administração de contas empresariais, como preço pelo resgate. Fotos do empresário, aparentemente sendo torturado, foram enviadas à família.

Após cessar a comunicação, os supostos sequestradores libertaram Alexsandro em um município do interior do estado, 15 horas após supostamente ter sido levado, indicando que a obtenção dos valores teria sido consumada.

Após algumas diligências, as equipes do COPE passaram a desconfiar da história do sequestro, sendo que o suposto cativeiro foi localizado e a fraude confirmada, pois as informações comprovaram que o homem tinha se hospedado voluntariamente em um hotel do interior do estado, onde tirou as fotos após se auto lesionar, provocando hematomas no rosto e queimaduras superficiais no peito.

Ao ser confrontado com as provas, ele confessou ter forjado o próprio sequestro, mas negou que realmente tivesse desviado valores das contas de sua empresa, onde opera investimentos de terceiros, sócios/clientes, em corretoras nacionais e internacionais de moedas estrangeiras. Ele esclareceu que o crime visava apenas ganhar tempo enquanto conseguia liquidez para pagar alguns compromissos que venciam um dia após a data do sequestro.

Como as contas do homem estavam bloqueadas, a versão do investigado não pode ser confirmada e para garantia de que o falso sequestro não teria resultado prejuízo a terceiros, visando, ainda, manter a garantia da ordem financeira, a prisão preventiva do suspeito foi decretada com o objetivo de melhor esclarecer os fatos e garantir que não fossem realizadas transações financeiras que interferissem na investigação.

Até o prazo para conclusão da investigação, a polícia colherá esclarecimentos de outros dois envolvidos que auxiliaram o homem na simulação do sequestro, bem como trabalhará com apoio dos operadores financeiros para concluir se houve, ou não, prejuízo financeiro. Até o presente momento, não foram encontrados indícios do envolvimento de familiares e funcionários da empresa na trama criminosa.


Fonte: SSP/SE