Sergipe

24/08/2018 às 15h15

Arte sacra do século XVII é restaurada após atuação do MPF em Sergipe

MPF/SE

Após atuação do Ministério Público Federal em Sergipe foi possível restaurar 10 imagens da Paróquia Nossa Senhora do Socorro, localizada no município

MPF/SE
de Tomar do Geru, distante 130 km da capital. A igreja, construída em 1688, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O trabalho de restauração das peças durou três anos e foi executado em um ateliê autorizado pelo Iphan, sediado no município de São Cristóvão. O serviço custou R$ 100 mil, pago por empresa mineradora após termo de ajustamento de conduta realizado com o MPF/SE.

Segundo o atual pároco, o padre José Adinaldo Pereira, a igreja possui 330 anos e é herança da passagem dos jesuítas pela região no século XVII. “Foi construída num esforço conjunto entre os jesuítas e os índios kiriris, o que se reflete na representação das imagens, que, diferentemente das representações tradicionais, possuem explícitos traços e referências indígenas”, explicou. As obras da igreja foram produzidas em madeira e terracota (argila) e têm a mesma data da igreja, o ano de 1688.

“Quem visita a igreja, que está belissimamente adornada pelas imagens restauradas, pode perceber que os índios talharam anjos, com olhos amendoados e vestes representativas da cultura indígena”, afirmou a procuradora da República Lívia Tinôco. “As imagens revelam a nossa cultura brasileira sincrética, nascida do contato e de um convívio que deixou as marcas da identidade, da ação e da memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”, acrescentou.

Compensação ambiental

O dinheiro para pagar a restauração das esculturas sacras foi proveniente de empresa mineradora que funcionava sem licença ambiental e minerária. Além disso, havia dano ambiental com o barulho causado pelas explosões que praticava. Por isso, para fazer a compensação, a empresa acordou na aquisição de decibelímetros, aparelhos utilizados pelo Pelotão Ambiental da Polícia Militar de Sergipe para medir a poluição sonora.

No acordo, a mineradora também ficou responsável por contratar um profissional engenheiro de minas e revisar o plano de lavra e de fogo da pedreira, de modo que seja prevista a recuperação do ambiente degradado pela exploração dos recursos minerais.

“O MPF resolveu dois problemas que havia Tomar do Geru a um só tempo: o funcionamento ilegal da pedreira, que afetava a população e meio ambiente, e o péssimo estado de conservação dos bens culturais tombados da Igreja Nossa Senhora do Socorro, que é um testemunho expressivo da presença jesuíta em Sergipe e da influência indígena na produção da arte sacra no século XVII”, conclui a procuradora Lívia Tinôco.


Fonte: MPF/SE