Transexual sofria violência doméstica e teria sido encontrada morta com sinais de asfixia
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apresentou em coletiva realizada durante a manhã desta sexta-feira, 18, os detalhes da investigação que resultou na prisão de Marcos Paulo dos Santos, 28 anos, acusado da autoria do homicídio que vitimou a transexual Milane, de 23 anos, no loteamento Mariana, em Nossa Senhora do Socorro.
Segundo a delegada Maria Zulnária, Milane foi encontrada sem vida dentro da própria residência no último dia 15 de abril. O relatório emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou como causa da morte asfixia mecânica ou sufocamento.
“A partir do registro do caso, ouvimos pessoas próximas e Marcos Paulo era uma delas. Durante as oitivas, sempre retornávamos a ouví-lo e ele começou a cair em contradição, foi quando solicitamos a prisão temporária dele”, diz Maria Zulnária.
Ela explicou ainda que ouviu o amigo Júnior, que teria levado Marcos Paulo até a casa da namorada e também representou pela prisão temporária dele. Logo após a prisão de Júnior, Marcos Paulo confessou que não tinha saído de casa naquela sexta-feira, 13 de abril, como havia dito antes.
Segundo ele, ao chegar em casa e perceber que a companheira não estava, ele foi até uma seresta próxima para buscá-la. Eles discutiram e ele deu um empurrão nela, que, segundo ele não resultou em nada, versão que contraria o laudo médico. Ele relata ainda que entrou no banho e, ao sair, deparou-se com a vítima se debatendo em crise convulsiva e não conseguiu reanimá-la. Pensando que se tratava de uma artimanha para que ele não saísse de casa, Marcos Paulo foi embora com Júnior e a deixou lá.
A delegada do DHPP explica que Júnior não teve participação no homicídio, mas foi indiciado por favorecimento pessoal, já que ele não fez nada para que a polícia soubesse do crime.
Marcos Paulo dos Santos já havia sido preso pelo crime de roubo no município de Itaporanga D’ Ajuda. Ele foi indiciado por homicídio qualificado e feminicídio, diante da relação que mantinha com a vítima na condição de transexual e encontra-se preso.
Violência Doméstica
A delegada responsável pelo caso afirmou ainda que Milane era vítima constante de violência doméstica e já havia chegado a ficar internada na ala vermelha do Hospital de Urgência de Sergipe por conta da gravidade das agressões. Familiares e vizinhos comprovam essas agressões, mas ela nunca havia registrado qualquer tipo de boletim de ocorrência relatando o caso. “Se ela tivesse denunciado, talvez a história tivesse um desfecho diferente do que teve.”
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