Sergipe

30/04/2014 às 18h53

Saúde alerta: 24 municípios sergipanos têm alto risco de epidemia de Dengue

Desses, o município de Pinhão aparece em primeiro lugar com índice de infestação de 13,5%. Já o município de Simão Dias aponta em segundo, com índice de 8,4%.

Redação Portal A8

Segundo dados do Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa), dos 75 municípios sergipanos, 24 estão com risco de ter uma epidemia de Dengue. São eles: Malhador, Areia Branca, Tomar do Geru, Cristinápolis, Umbaúba, Itabaianinha, Boquim, Salgado, Lagarto, Simão Dias, Barra dos Coqueiros, Carmópolis, Maruim, Capela, Aquidabã, Cedro de São João, Nossa Senhora das Dores, Ribeirópolis, Pinhão, Carira, Nossa Senhora da Glória, Monte Alegre de Sergipe, Frei Paulo e Porto da Folha.

Foto: Arquivo/ASN

 

Desses, o município de Pinhão aparece em primeiro lugar com índice de infestação de 13,5%. Já o município de Simão Dias aponta em segundo, com índice de 8,4%. O município de Itabaianinha consta na lista em terceiro lugar, com índice de infestação de 7,6%. Nossa Senhora da Glória, por sua vez, tem índice de infestação de 5,9%, o que coloca o município como a quarta cidade com maior risco de epidemia de Dengue em Sergipe.

 

Também de acordo com o LIRAa, 11 municípios são considerados de médio risco: Aracaju, Pedrinhas, Tobias Barreto, Poço Verde, Laranjeiras, Itabaiana, Riachuelo, Rosário do Catete, Japaratuba, Neópolis e Propriá. Dessa lista, Aracaju aparece em primeiro lugar com índice de infestação de 2,9%; Tobias Barreto com índice de 2,8%; Laranjeiras com 2,5%; Neópolis com índice de 2,4% e Itabaiana com índice de infestação de 2,3%.

 

Os dados apontam, ainda, que apenas 8 municípios possuem risco baixo de epidemia: Estância, Itaporanga D’Ajuda, Campo do Brito, Nossa Senhora do Socorro, Moita Bonita, Pirambu, Poço Redondo e Canindé de São Francisco. O município de Estância aparece com índice de infestação de 0,9%, seguido de Campo do Brito e Poço Redondo, que possuem, juntos, índice de infestação de 0,8%. Moita Bonita e Pirambu, juntos, apontam o índice de 0,4%.

 

Segundo Sidney Sá, coordenadora do Núcleo de Endemias da Secretaria de Estado da Saúde, o trabalho para a identificação e controle da Dengue não pode parar e os municípios são os responsáveis em reforçar as atividades de controle em áreas residenciais e o levantamento de todos os casos suspeitos que houver.
“Em Sergipe são realizados 06 LIRAa anuais. Os municípios de Santo Amaro das Brotas, São Domingos e Nossa Senhora Aparecida, até o momento, não enviaram as informações para a Coordenação Estadual do Programa da Dengue. Todos os municípios devem realizar a investigação compulsória dos casos notificados, confirmados e até os óbitos suspeitos por Dengue, através das Vigilâncias Epidemiológicas das Secretarias Municipais de Saúde”, explica Sidney Sá.

 

Em todo o Estado de Sergipe, de janeiro a abril de 2014, somente pela Brigada Itinerante, foram encontrados 59 mil criadouros do mosquito, sendo que 10 mil foram tratados e 49 mil eliminados. De janeiro até o dia 28 de março de 2014, foram notificados no estado 660 casos da doença, com 209 confirmações.

 

Ainda segundo o Núcleo de Endemias da SES, os 10 primeiros municípios sergipanos em ordem de notificação de casos de Dengue são: Aracaju (327 casos), Nossa Senhora do Socorro (62 casos), Itabaianinha (43 casos), Estância (34 casos), São Cristóvão (20 notificações), Lagarto (18 casos), Barra dos Coqueiros (17 casos), Gararu (13 casos), Umbaúba (10 casos) e Malhador (8 casos notificados).

No Brasil

 

De acordo com informações do Boletim Epidemiológico nº 44 da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, em 2014 foram registrados 215.169 casos de dengue no país até o mês de abril. A região Sudeste teve o maior número de casos (109.843 casos; 51,0%), seguida das regiões Centro-Oeste (50.800 casos; 23,6%), Nordeste (19.689 casos; 9,2%), Sul (19.268 casos; 9,0%) e Norte (15.569 casos; 7,2%).Fazendo a comparação em relação ao ano de 2013, houve uma redução de 76,7% dos casos no Brasil. A análise das incidências nos Estados demonstra redução em todas as regiões, segundo o Boletim Epidemiológico. Assim, os Estados que apresentam aumento no número absoluto de casos e incidência de Dengue são: Acre (275,0 casos/100 mil hab.), Roraima (72,2 casos/100 mil hab.), Alagoas (54,7 casos/100 mil hab.), Sergipe (22,4 casos/100 mil hab.), Rio Grande do Sul (3,8 casos/100 mil hab.) e Distrito Federal (171,1 casos/100 mil hab.).

 

Ações

 

Com o objetivo de combater a Dengue e orientar todos os Estados e Municípios para intensificar – ainda mais – as ações para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti e, consequentemente, uma epidemia, o Ministério da Saúde realizou em dezembro de 2013 um repasse de R$363,4 milhões a todos os municípios do país para vigilância, prevenção e controle da doença. Esse valor representa 30% do valor anual do Piso Fixo de Vigilância e Promoção à Saúde (R$ 1,2 bilhão).

 

O Ministério fez também a distribuição, aos estados e municípios, de 100 mil kg de larvicidas (produto para matar a larva do mosquito), 227 mil litros de adulticida (inseticida para matar o mosquito) e 10,4 mil kits para diagnóstico.
Ainda de acordo com a coordenadora do Núcleo de Endemias da Secretaria de Estado da Saúde, a prevenção, o diagnóstico precoce, a ampliação do fluxo de atendimento, a conscientização da população e o esforço de todos os profissionais são fatores que, juntos, contribuem significativamente para a não proliferação do mosquito da Dengue.

 

Segundo ela, o combate à doença deve ser uma ação parceira entre sociedade civil e órgãos governamentais."A população faz a sua parte eliminando os criadouros do mosquito, principalmente nas residências e em terrenos baldios particulares. Já os municípios precisam fazer a busca ativa e ir até o caso suspeito para fazer a investigação completa. A população pode, também, cobrar dos gestores locais a limpeza adequada dos ambientes públicos (ruas, canais, praças, lagos artificiais, cemitérios, borracharias) e fazer o recolhimento correto e regular do lixo. Além disso, o ato de não jogar lixo nas ruas, em terrenos e canais também colabora bastante para que possíveis criadouros não nasçam”, complementa Sidney Sá.

 

Além de todas essas ações preventivas, a Brigada Itinerante, um trabalho de parceria entre as Secretarias Estadual e Municipais da Saúde, dá todo o suporte necessário para o combate ao vetor transmissor da doença. Os profissionais realizam visitas habituais às residências e em terrenos baldios, conversam com munícipes e orientam sobre cuidado, prevenção e diagnóstico da Dengue.

 

“Além disso, há também o Carro Fumacê, que tem como objetivo específico a eliminação das fêmeas de Aedes aegypti e deve ser utilizado somente para bloqueio de transmissão de casos de Dengue e para controle de surtos ou epidemias. Essa ação integra o conjunto de atividades emergenciais adotadas nessas situações e seu uso deve ser concomitante com todas as demais ações de controle feitas pelos agentes de saúde. As ações de controle focal, ou seja, de destruição e tratamento do foco dos mosquitos, devem ser priorizadas pelos gestores municipais pois dizem respeito à ações que são executadas pelas Vigilâncias Epidemiológicas Municipais”, reforça Sidney Sá.