Sergipe

29/11/2011 às 18h41

Pesquisa revela que substância da Serra de Itabaiana acelera cicatrização

Redação Portal A8
Foto (Ascom)

A cicatrização de queimaduras de 2° e 3° graus demora em torno de oito semanas. Porém, uma substância encontrada na Serra de Itabaiana, denominada ácido úsnico, tem sido analisada para pesquisas por conter características antiinflamatórias e antibacterianas que podem reduzir o tempo total do processo de cicatrização. Desde 2003, o pesquisador da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Adriano Antunes, desenvolve estudos com o ácido úsnico e a proposta é desenvolver um produto eficaz e de baixo custo.

A substância é extraída a partir de um líquen, associação entre fungo e alga. O pesquisador possui dois projetos aprovados, um no Programa de Pesquisa para o SUS e o outro no Edital Universal, ambos apoiados pela Fundação de apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica (Fapitec), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec).

Os dois projetos desenvolvem a mesma temática: o estudo dos efeitos de cicatrização do ácido úsnico em animais, inicialmente em ratos e porcos. "O objetivo é desenvolver filmes de colágeno com ácido úsnico, gerando produtos de baixo custo para que a população tenha acesso ao produto barato e eficaz", destacou o pesquisador.

Segundo o pesquisador, durante a pesquisa, foram analisados os efeitos sobre as queimaduras. Para isso foram utilizados filmes de colágenos impregnados com ácido úsnico. "Foram realizados estudos pré-clínicos para testar a eficácia dos filmes. No primeiro momento, o experimento com roedores e depois com porcos, no qual as queimaduras se assemelham mais com humanos. A partir dos testes foi verificado que a cicatrização com o ácido úsnico é bem mais rápida no grupo teste que recebeu tratamento com a substância", explicou.

Utilização do ácido

Queimadura é toda lesão provocada pelo contato direto com alguma fonte de calor ou frio, produtos químicos, corrente elétrica, radiação, ou mesmo alguns animais e plantas. Se a queimadura atingir 10% do corpo de uma criança ela corre sério risco de vida. Já em adultos, o risco existe se a área atingida for superior a 15%.

De acordo com o pesquisador, as queimaduras podem ser de três tipos: primeiro grau que atinge uma área de maneira superficial, enquanto que a de segundo grau atinge camadas mais profundas da pele. Já as queimaduras de terceiro grau são as mais graves, podendo atingir ossos e músculos. O projeto é desenvolvido com queimaduras de segundo grau, como, por exemplo, a de água fervente sobre a pele.

O projeto, neste caso, utiliza as fibras de colágeno com o ácido úsnico colocadas sobre o local afetado. A queimadura é revestida com as fibras e o ácido úsnico passa a agir sobre a área. Ao contrário das pomadas, que são costumeiramente utilizadas, a substância não sai com água, tendo assim uma eficácia maior.

Fonte: ASN