Plantio de milho ganha força em Sergipe e impulsiona renda no campo
Tradição de março movimenta agricultores familiares, fortalece a economia e garante boa produção através das linhas de crédito do Banco do Nordeste
O som da enxada rasgando a terra anuncia o início de mais um ciclo no campo. É tempo de plantio e na fazenda de José Pereira a tradição se renova ano após ano. Com experiência acumulada ao longo da vida, ele segue o mesmo ritual que é preparar o solo e plantar as sementes de milho, em um trabalho paciente e contínuo, guiado pelo conhecimento adquirido com o tempo e com a terra.
“Essa é uma tradição que a gente te todo ano, sobre o dia de São José, dia 19 de março. A gente tem essa cultura há vários anos que passa de pai para filho. Então pra nós é um dos melhores dias de plantação pra que venha colher no período junino”
destaca José.No campo, o mês de março tem um significado especial. É nesse período que muitos agricultores iniciam o plantio do milho, seguindo um calendário que atravessa gerações. A crença popular reforça que plantar nessa época aumenta as chances de uma boa colheita, garantindo a produção a tempo das festas juninas.
“Aqui também plantamos a macaxeira e abóbora, mas não com tanta intensidade como o milho. O sustento da nossa família aqui sempre foi com essa produção e com fé em Deus daqui pra frente vai melhorar mais ainda”, afirma o agricultor.
Na propriedade de seu Pereira, o cultivo ocupa uma área de cerca de 10 mil metros quadrados, dividida em 14 tarefas. Em toda a extensão do terreno, o milho é protagonista. Para este ano, a expectativa é de uma safra de aproximadamente 150 mil espigas, produção que sustenta a renda de toda a família.
Mas para que histórias como a dele continuem crescendo, o apoio ao agricultor familiar é fundamental. O Banco do Nordeste se destaca como um dos principais parceiros nesse processo. Por meio de linhas de crédito como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), produtores conseguem investir em sementes, equipamentos e tecnologia, ampliando a capacidade produtiva.
“O Pronaf garante ao agricultor familiar um bom investimento através da linha de crédito do Banco do Nordeste. Tudo isso para garantir que o agricultor familiar invista na estrutura do imóvel rural”, explica o gerente do Pronaf, Antoane Amaro.
Além do financiamento, a instituição também acompanha de perto a aplicação dos recursos, desde a contratação até o desenvolvimento da lavoura. Esse suporte tem permitido que pequenos produtores ampliem suas atividades ao longo dos anos, como aconteceu com seu Pereira, que começou com uma produção modesta e hoje colhe resultados mais expressivos.
“A gente acompanha os agricultores para entender as necessidades de mais crédito, de uma prorrogação e até de novos investimentos. É papel da instituição estar presente com o produtor rural, para não perder contato e a gente também cobra que eles mantenham essa comunicação direta com o Banco do Nordeste”, frisa Antoane.
O avanço da produção não é um caso isolado. Sergipe segue entre os principais produtores de milho do Nordeste e vem registrando recordes sucessivos. No último ano, o estado ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas, alcançando a maior safra da história.
Para a economista da agência Sergipe de Desenvolvimento, Sudanês Pereira, do ponto de vista da renda, isso é muito importante porque você dá uma oportunidade para os produtores plantarem mas também terem um resultado considerável ao final da colheita.
“A agropecuária no Estado representa 6,5% do PIB e isso tem um impacto extremamente relevante para os pequenos e médios produtores do milho”
, explica a economista.O impacto também é sentido na economia. O valor bruto da produção agropecuária já supera os R$ 5 bilhões, com o milho ocupando posição de destaque nesse crescimento.
Para 2026, a expectativa permanece positiva, com a manutenção de altos níveis de produtividade e o fortalecimento da agricultura familiar, impulsionado por incentivos fiscais e políticas públicas voltadas ao setor.
“O Governo do Estado concede incentivo fiscal para agropecuária para a compra de insumos e também tem reduzido o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Além de também distribuir sementes de milho para os produtores. Essa estratégia favorece elevação da produção de milho de Sergipe que se destaca na quarta posição na produção de milho do Nordeste e hoje possuímos a maior produtividade do país”, frisa.
Do campo até as feiras, o milho movimenta toda uma cadeia produtiva. O produto chega às bancas, atrai consumidores, fortalece pequenos negócios e mantém o ritmo da economia local.
Feirante há mais de 20 anos que atua na Central de Abastecimento de Aracaju, Tarcísio dos Santos, vende o milho durante todo o ano e acredita que os incentivos chegam em uma boa hora para os agricultores, que se sentem ainda mais estimulado a, aumentem a produção que, logo, chega em sua banca.
“As novas tecnologias melhoraram para todo mundo porque agora temos milho o ano todo. Isso é ótimo justamente porque é daqui que eu tiro o meu sustento e da minha família, para pagar as contas e até hoje Deus tem nos mantido de pé”, informa o feirante.
Seja na roça, nas feiras ou dentro de casa, fé, tradição e trabalho seguem lado a lado, mantendo viva uma cultura que garante o sustento de inúmeras famílias sergipanas.
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