Mês do Jornalista destaca o combate à desinformação e a retomada de poder da mídia tradicional

Esta reportagem propõe evidenciar o papel fundamental do jornalista na defesa da verdade, da credibilidade e do interesse público

Por Luiza Ferreira 27/04/2026 14h45
Mês do Jornalista destaca o combate à desinformação e a retomada de poder da mídia tradicional
Reprodução/Internet

Após uma "infodemia" potencializada pela inteligência artificial e propagada pelas redes sociais, o cenário da informação no Brasil atingiu um ponto de saturação. O trabalho de apurar, investigar e só então noticiar é tarefa árdua presente diariamente na vida de um profissional essencial: o jornalista.

O Mês do Jornalista deste ano não é apenas uma data de celebração corporativa, mas um marco sociológico. O fenômeno, apelidado por especialistas como "A Vingança da Credibilidade", revela um movimento nítido: o público, exausto do caos dos algoritmos, está retornando aos portos seguros das marcas de mídia tradicionais.

O Portal A8SE mergulhou nos bastidores dessa retomada através da visão de quem forma a nova geração; através do frescor de quem acabou de sair da universidade e também da TV como âncora da realidade para o grande público.

O laboratório acadêmico: o resgate da essência

Dentro das universidades, o combate à desinformação não é tratado como uma novidade tecnológica, mas como um retorno rigoroso aos fundamentos. O Professor Caio Mário Guimarães Alcântara desafia a narrativa de que o papel de curador seja uma adaptação moderna da profissão. Para ele, essa visão ignora a própria gênese do fazer jornalístico.

A concepção de que o jornalismo está mudando de um profissional que trabalha com informação para um curador ético já é uma deturpação. O jornalista sempre foi um curador ético; essa é a finalidade de sua profissão. A notícia é apenas a publicização desse processo de curadoria."

Caio Mário Guimarães Alcântara - Professor dos cursos de Comunicação Social na Universidade Tiradentes (UNIT).

Ainda segundo o Professor Caio, nem todo veículo estabelecido produz conteúdo correto e a estrutura ou audiência de um programa não garante qualidade informativa. Por isso, os estudantes precisam aprender técnicas e fundamentos do jornalismo para avaliar e produzir informação adequada. O ensino deve focar em fazer o aluno entender o que constitui jornalismo, não apenas indicar fontes tradicionais.

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Caio Mário Alcântara

O campo de batalha do jornalismo popular

Se no laboratório acadêmico a discussão se debruça sobre os fundamentos do jornalismo, no centro de controle do Cidade Alerta, o combate à desinformação é visceral. O editor-chefe do programa, Fredson Navarro, enfrenta diariamente o desafio de gerenciar o impacto de vídeos que viralizam em grupos de mensagens instantâneas muito antes de qualquer equipe de reportagem alcançar o local do fato.

Para Fredson, essa aceleração tecnológica não torna o jornalista obsoleto; pelo contrário, torna-o indispensável:

A profissão de jornalista nunca foi tão vital. No momento em que a notícia ganha velocidade, as fake news ganham escala. É nesse cenário que o público precisa se ancorar na fonte de informação."

Afirmou Navarro.
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Fredson Navarro

Ele ressalta que o diferencial do Cidade Alerta e dos demais telejornais da TV Atalaia reside no rigoroso processo de apuração — que envolve ouvir todos os lados com ética e imparcialidade. Esse cuidado editorial criou um fenômeno curioso no comportamento do espectador sergipano: o uso da televisão como ferramenta de checagem final.

"Muita gente só passa a acreditar no que viu na internet após a confirmação na TV ou em veículos assinados por profissionais, como o rádio e os portais de notícia", explica o editor.

A linha de frente digital: velocidade com responsabilidade

No Portal A8SE, a dinâmica é outra. Aqui, a notícia precisa ser imediata, entretanto o erro pode ser fatal para a reputação do canal de comunicação.

Laura Marcelino, jornalista recém-formada e redatora do portal, afirma que a equipe reconhece a pressão para ser a primeira fonte, mas defende que a precisão deve prevalecer sobre a pressa. A conclusão acordada é evitar o impulso de publicar só para marcar a primazia quando isso puder comprometer a veracidade.

Para garantir a integridade do Portal A8SE, é realizado um processo de checagem que envolve a triangulação de dados com fontes oficiais e órgãos competentes antes de qualquer publicação. Esse escudo contra a desinformação é composto por um fluxo contínuo de confirmação com instituições essenciais, tais como:

Segurança e Trânsito: CPRV, BPTRAN, Polícia Militar e SMTT.

Emergência e Saúde: SAMU, Corpo de Bombeiros e unidades hospitalares.

Ao transformar a apuração multissetorial em regra, o portal reforça que, na linha de frente digital, o verdadeiro ‘furo’ jornalístico não é apenas ser o primeiro a falar, mas ser o primeiro a apresentar o fato devidamente verificado.

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Laura Marcelino

A emoção, a velocidade e a reflexão sob o mesmo guarda-chuva: a defesa da realidade factual

O Mês do Jornalista de 2026 consagra a vitória da curadoria sobre o algoritmo. Seja na sala de aula da UNIT, no estúdio do Cidade Alerta ou na redação do Portal A8, a mensagem é uníssona: a informação profissional é a infraestrutura essencial da democracia. Em um mundo onde a mentira é produzida por máquinas, a verdade tornou-se um ato de resistência puramente humano.

Por: Luiza Ferreira, estagiária do Portal A8SE, com supervisão da jornalista Laura Marcelino.

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