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Sergipe

Projeto prevê exploração de potássio no mar de Sergipe

Novas sondagens serão necessárias para avaliar a extensão dos depósitos e o potencial de exploração.

Portal A8SE com informações do Gov/SE

A empresa South Atlantic Potash (SAP) estuda explorar potássio no mar de Sergipe, na Bacia de Sergipe-Alagoas. O projeto prevê a dissolução de sais minerais a cerca de 2,5 quilômetros de profundidade e o transporte da solução para processamento em terra.

Com apoio da Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), a empresa tem cerca de 189 mil hectares autorizados para pesquisa, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), e delimitou nove áreas prioritárias para investigar a presença de silvinita, rocha que contém potássio.

O método proposto é a lavra por dissolução. A água seria injetada por poços até as camadas minerais para dissolver os sais. A solução resultante, chamada salmoura, seria levada a uma unidade em terra, onde passaria por processos de evaporação e cristalização para obtenção do cloreto de potássio (KCl), utilizado na fabricação de fertilizantes.

Segundo a empresa, a técnica dispensa grandes escavações no fundo do mar e barragens de rejeitos sólidos. O projeto prevê ainda o controle da salmoura residual, conforme as exigências do licenciamento ambiental. O cloreto de sódio separado no processamento poderá ser comercializado.

Os depósitos estão associados ao Membro Ibura, da Formação Muribeca. Em Sergipe, a presença de potássio é conhecida desde 1963, quando a Petrobras identificou reservas em Rosário do Catete, onde funciona a única mina de potássio em operação no Brasil, no Complexo Mineroquímico de Taquari-Vassouras.

Dados de perfurações e levantamentos sísmicos da indústria de petróleo e gás também ajudam a mapear as formações geológicas no mar. Segundo a SAP, mais de 200 poços contribuíram para esses estudos, e quatro confirmaram a presença de silvinita.

Em um deles, o poço 1-SES-003-SE, foi identificada uma camada de 27,5 metros de silvinita a cerca de 2,5 quilômetros de profundidade. Com base nos dados, a empresa delimitou nove áreas de interesse na região do Baixo Mosqueiro.

As áreas ainda não são reservas comprovadas. Novas sondagens serão necessárias para avaliar a extensão dos depósitos e o potencial de exploração.

Dependência de importações

O projeto busca atender parte da demanda brasileira por potássio, usado na produção de fertilizantes. Segundo dados apresentados pela SAP, o Brasil é o segundo maior consumidor mundial e importa mais de 96% do cloreto de potássio que utiliza. Canadá, Rússia e Belarus concentram cerca de 87% da oferta internacional.

A empresa estima que uma produção inicial de 2 milhões de toneladas por ano poderia atender a cerca de 14% da demanda nacional e gerar uma economia anual de US$ 600 milhões a US$ 800 milhões, conforme os preços internacionais.

Próximas etapas

O projeto está em fase de avaliação técnica conceitual. A próxima etapa é uma campanha de sondagem no mar para confirmar as ocorrências minerais. Também serão necessários estudos de viabilidade, desenvolvimento da engenharia, licenciamento ambiental e definição do financiamento antes de uma possível exploração comercial.