Produção de mel de abelhas em Sergipe deve ultrapassar 250 toneladas
Conheça a história de Gilson do Mel, apicultor há mais de 30 anos no agreste sergipano
Eliane Cardoso
Gilson Santos, conhecido como Gilson do Mel é um dos 2.500 apicultores cadastrados na Federação Apícola de Sergipe, que engloba todas as associações do setor no estado. Dos 54 anos de idade, mais de 30 foram dedicados à criação de abelhas africanas. É da produção do mel e dos seus derivados, a exemplo da própolis e da cera que ele tira o sustento dos quatro filhos.
Dona Maria Perpétua, sua mãe, conhece de perto a rotina do filho. "No começo era muito difícil, não que hoje não esteja, mas é um trabalho que requer muita coragem e disposição. Não tem dia, nem hora", comenta.
Gilson é o único apicultor sergipano que possui colmeias migratórias, por isso precisa viajar com caixas contendo abelhas para regiões que tenham florada, por isso, ele têm a possibilidade de colher mel até duas vezes ao ano. Um dos seus apiários funciona na propriedade de dona Perpétua, em Ribeirópolis, no agreste. Lá, as abelhas extraem alimento das plantas nativas existentes nas 50 tarefas de mata nativa. Flores como algaroba, juazeiro, candeia e umbuzeiro contribuem para essa cadeia. Hoje, Gilson conta com o auxílio de três funcionários para cuidar dos apiários.
No começo ele não tinha carro e, toda vez que precisava viajar para transportar as colmeias, pedia veículo emprestado ou fretava. O financiamento de maquinário e veículos pelo Banco do Nordeste do Brasil melhorou a condição de trabalho dele. Hoje, dispõe de duas camionetes para transportar os seus produtos. Anualmente, ele produz uma média de 500 quilos de mel de abelhas. “É preciso haver dedicação e disposição para estar nesse ramo e sobreviver, pois nem todo mundo sabe diferenciar o mel verdadeiro do mel falso. E isso acaba colocando em cheque o produto com procedência", afirma Gilson.
A maior parte da produção dele é vendida no atacado e a outra parte no varejo, para revendedores de outras cidades sergipanas, de fora do estado e também do município. Um deles é o Ivanildo Silva, que revende o mel na Barraca do Abençoado. "Não pode faltar mel aqui na minha barraca, principalmente nos finais de semana, vendo pra gente de todo o estado que passa pra o sertão", afirma.
Investimento
Assim como no negócio de Gilson, o BNB têm papel importante para a economia de muitos municípios. De janeiro a dezembro do ano passado, a instituição financeira realizou onze operações de financiamento na apicultura no estado, totalizando R$ 128.041, 20, em recursos. No ano passado, de janeiro a agosto foram 14 operações, que somam quase R$ 82 mil. Os municípios de Tobias Barreto, Poço Verde, Japaratuba e Laranjeiras foram os que mais se destacaram nesse tipo de operação em Sergipe. Em Ribeirópolis, os investimentos do BNB nos últimos dois anos não foram voltados para a apicultura, mas para outras atividades, com destaque para a produção de batata doce, produção de hortaliças, macaxeira e bovinocultura de corte.
Produção crescente
Segundo o IBGE, foram colhidos 84.944 quilos em 2020 e 99.020 quilos em 2021. Os municípios de Tobias Barreto, Poço Verde e Lagarto foram responsáveis por 50 toneladas, que corresponde a mais da metade do safra de todo o estado. Há boa produção do produto também nos municípios do alto e médio sertão, agreste e no Baixo São Francisco. "O alto sertão está produzindo muito mel, antes era mais concentrado na região centro-sul do estado. Era lá que detinha a maior parte da produção.
A situação climática favoreceu muito. Nos povoados Sítios Novos e Barra da Onça, em Poço Redondo, muito mel está sendo colhido," aponta José Ivanilson Tavares, presidente da federação. Se depender dos apicultores sergipanos, a produção de mel em 2022 irá ultrapassar os anos anteriores. A expectativa da Federação Apícola, entidade que concentra todas as associações é que a produção de mel seja entre 250 e 300 toneladas, três vezes maior do que nos anos anteriores. O mel começou a ser colhido em outubro do ano passado, mas somente no final de fevereiro, a produção total será contabilizada.
