Pesquisadores da UFS usam casca de laranja em combate ao Aedes aegypti
Até agosto, de acordo com o Ministério da Saúde, o país contabilizou mais de 1 milhão de casos de dengue, 166 mil de chikungunya e quase 10 mil de zika
redação Portal A8SE e ascom UFS
A preocupação com o aumento de casos de doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti voltou a surgir. Por isso, pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe criaram uma nova estratégia.
Os larvicidas e repelentes são usados de forma frequente, no entanto, há inquietação sobre os riscos da aplicação de produtos químicos no ambiente. No Laboratório de Desenvolvimento Farmacotécnico e Nanotecnologia do Departamento de Farmácia da UFS, pesquisadores investigam a atividade larvicida do óleo essencial extraído da casca da laranja.
“O grande problema da atualidade com os produtos que são utilizados para o controle larvicida é a ecotoxicidade [estudo dos efeitos de agentes tóxicos sobre organismos vivos]. Então, buscamos desenvolver alternativas viáveis para atingir especificamente o vetor, isentando o meio ambiente de problemas relacionados com toxicidade,” destaca a professora de Farmácia da UFS e coordenadora do LADEFNT, Rogéria Nunes.
O óleo da casca da laranja carrega uma alta concentração de delimoneno. substância utilizada em produtos de limpeza de motores, engrenagens, rolamentos, peças metálicas e na composição de fertilizantes botânicos. Essa característica química, segundo a pesquisadora, assegura a atividade biológica do óleo adicionado a uma nanoformulação para combater as larvas, garantindo a baixa toxicidade ao ambiente.
Embora a atividade larvicida do resíduo da fruta seja conhecida na literatura científica, os pesquisadores ainda buscam respostas sobre o efeito prolongado da nanoformulação, ou seja, quanto tempo o produto biológico mantém o princípio ativo como protetor ou defensivo no ambiente. É justamente isso que a farmacêutica Jene Mileide está investigando na pesquisa de mestrado em Ciências Farmacêuticas da UFS.
“Após limpar e descascar a laranja, fazemos a extração do óleo através de um destilador e o adicionamos à nanoformulação. Além de atestar a atividade biológica para combater as larvas do mosquito, queremos comprovar que o produto nanotecnológico, que contém o óleo essencial da casca da laranja, tem um efeito residual,” detalha Mileide.
