“É extremamente complicado combater a corrupção”, diz ministra
Calmon comentou sobre o andamento do processo que resultou na operação Navalha
O combate a corrupção deve ser política. A observação é da ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon, responsável pelo processo que autorizou as prisões de 48 pessoas - três em Sergipe - na Operação Navalha, feita pela Polícia Federal, em maio de 2007. Ela esteve em Aracaju participando de um evento jurídico.
Ministra Eliana Calmon falou sobre a operação Navalha (Foto: Atalaia Agora)
Calmon comentou sobre o andamento do processo que resultou na operação Navalha, que segundo ela já possui 54 apensos e envolvem 61 réus. Já são cerca de três anos que a ação tramita na Justiça. "É uma instrução gigantesca... mas o processo ficou pronto", disse.
A ministra admitiu que a operação não conseguiu "pegar" todos os envolvidos no esquema de fraudes em licitações de obras públicas que teria a participação de servidores públicos, empresários, políticos e parlamentares. "Não dar para pegar todos... é extremamente complicado combater a corrupção...", afirmou Calmon, ressaltando que a polícia e a Justiça "barram um pouco" está impunidade.
Para a Calmon, operações policiais como a Navalha expõem as entranhas do poder, mas a impunidade ainda é fato. "É difícil processar os crimes do ‘colarinho branco`".
A reapropriação dos recursos desviados no esquema, cerca de R$ 170 milhões, é visto com ceticismo pela ministra. "Dificilmente. Alguma coisa pode ser que volte, não me iludo... todo [dinheiro] não volta", frisou.
Calmon admitiu lentidão nos tramites dos processos judiciais. "O formalismo da Justiça é assim mesmo. É assim demorado". A ministra, porém enfatizou que a operação Navalha trouxe alguns benefícios no combate a corrupção, visto que se desmanchou um esquema que estava organizado.
