A8SE Icone

Sergipe

" A violência contra mulher ainda supera todas as outras"

A delegada falou sobre a violência contra os grupos vulneráveis, principalmente contra a mulher

Georlize falou sobre o grande número de ocorrências contra a mulher (Foto:Atalaia Agora)

Durante entrevista ao Portal Atalaia Agora, a delegada Georlize Oliveira, responsável pela Delegacia de Grupos Vulneráveis, falou a respeito da violência contra mulher, que segundo ela ainda consegue superar todas as denúncias recebidas na delegacia. Georlize revela também a importância dos centros especializados e o lançamento de uma campanha no Dia Internacional da Mulher.

Atalaia Agora - Qual o balanço da atuação da Delegacia de Grupos Vulneráveis no ano de 2009?

Georlize Oliveira - Se a gente for fazer uma avaliação dos números, podemos dizer que ocorreu um aumento. No ano passado registramos 2.900 ocorrências, enquanto que em 2008 tivemos cerca de 1.600, mas eu penso que a leitura é outra, a partir dos mecanismos e dos instrumentos disponibilizados a mulher sergipana, elas passam a não mais calar a violência e a partir daí denunciar as agressões sofrida. Talvez não tenhamos um aumento puro e simples da violência, mas o aumento da denúncia e da cidadania, em resumo, da coragem.

A.A - As denúncias mais frequentes são em relação a violência contra a mulher?

G.O - Infelizmente nós dos grupos vulneráveis podemos dizer que a violência contra mulher consegue sozinha superar todas as outras registradas na Delegacia. Mesmo juntando ocorrências contra idosos, crianças, adolescentes, homossexuais, pessoas com deficiência, as denúncias de agressão contra a mulher conseguem superar todos esses grupos.

A.A - A criação da Delegacia especializada fez com que as minorias tomassem coragem de fazer denúncias?

G.O - Entendemos que uma delegacia com um olhar diferenciado, onde a pessoa que vai ser atendida percebe que vai ser respeitada dentro das suas necessidades e da demanda apresentada, transmite mais segurança e a vítima entende que pode denunciar, por isso acredito que a criação do departamento veio consolidar a cidadania.

A.A - Como vai ser a campanha lançada no Dia Internacional da Mulher?

G.O - A ideia é que possamos fazer uma campanha diferente das que foram realizadas até agora, pois a idéia do departamento sempre foi incluir esse homem, que é o autor das agressões, e fazer com que ele perceba modo equivocado que está se portando. Essa campanha tem como diferencial trazer a figura masculina para essa discussão. Não queremos colocar a mulher no papel decisivo no combate a violência, mas sim o homem como figura fundamental no combate. O diferencial nessa campanha é que o homem será elemento ativo.

Georlize fala da necessidade de delegacias especializadas em algumas cidades do interior (Foto: Atalaia Agora)

A.A - Quais serão as ações realizadas durante a Campanha?

G.O - Vamos começar no dia 7 de março, com uma atividade na Orla de Atalaia, que foi escolhida em razão do fluxo de pessoas no local, onde serão distribuídos panfletos de conscientização. Mais do que a panfletagem chamaremos os homens para discutir, por isso quem irá encabeçar essas atividades, não somos nós mulheres que trabalhamos na Delegacia, mas os homens que trabalham no departamento. A campanha também estará nos sinais com panfletagem e também iremos para o interior lançando essa proposta. A sociedade só fica melhor se homens e mulheres se respeitarem e trabalharem por uma sociedade mais justa.

A.A - A maioria das ocorrências de agressão contra mulher estão na capital ou no interior do Estado?

G.O - No interior onde existe a figura da Delegacia da Mulher nós temos uma grande demanda. Aracaju suplanta todas elas em razão de ser a capital e daqui correm outras denúncias de vários municípios. O ideal era a criação de delegacias especializadas pelo menos nos maiores pólos, assim nós conseguiríamos um maior número de registro, pois existe uma sub notificação muito grande.