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Sergipe

Movimento negro repudia atitude de médica no aeroporto

O sentimento externado pela comunidade negra de Sergipe por conta do episódio ocorrido no último dia 26 no aeroporto de Aracaju, quando uma médica teria agredido verbalmente o funcionário da viação aérea Gol, Diego José Gonzaga, é de indignação.

Representantes do movimento negro do Estado estiveram na manhã de hoje (05), na Delegacia de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), para acompanhar o depoimento da vítima - que acabou não comparecendo ao depoimento por causa de um problema de saúde de um familiar.

Para o coordenador de Políticas para Promoção da Igualdade Racial no Estado, Pedro Neto, o fato denuncia o nível de preconceito que ainda é existe em nosso meio em pleno século XXI.

Pedro Neto: médica humilhou milhares de negros (Foto: Atalaia Agora)

"O que presenciamos nas imagens é uma pessoa branca contrariada que joga todo seu furor e preconceito em cima de uma pessoa negra de condições menos favorecidas. Ela não humilhou apenas o Diego, mas milhares de brasileiros negros e pobres que passam por situações parecidas todos os dias", disse Neto, acrescentando que na próxima quarta-feira (11), o movimento irá se reunir para discutir os encaminhamentos jurídicos do caso. "Não vamos deixar que esse caso fique impune", garantiu.

Representantes do movimento negro se reuniram (Foto: Atalaia Agora)

Para o sociólogo Florival Filho, um fato que chamou atenção neste caso foi a atitude da polícia de Sergipe. "A nossa polícia está despreparada para registrar ocorrência de racismo. O Estado, juntamente com os movimentos raciais, precisa treinar o aparelho policial para estas questões", disse Filho, acrescentando que cenas como as que aconteceram no aeroporto de Aracaju são inadmissíveis.

Filho enfatizou que a sociedade só ficou sabendo do fato por causa da gravação feita por um aparelho celular, mas se não tivesse as imagens a repercussão não aconteceria. "O flagrante das agressões concedeu a Diego a possibilidade de justiça. Se não fosse filmado, ele seria mais um negro humilhado por uma pessoa de pele clara e condição financeira favorecida, ou seja, mais uma vez nos deparamos com a reprodução de Casa Grande e Senzala", falou.

O Movimento Negro Unificado também se manifestou. Distribuiu uma carta de repúdio sobre o caso. No documento a entidade colocou que se o funcionário tivesse retribuído a agressão da médica, teria sido preso no local.

Movimento Negro Unificado distribuiu carta de repúdio (Foto: Atalaia Agora)

"Vamos imaginar que no lugar dela, fosse um homem negro que agredia uma funcionária branca, invadindo inclusive a área funcional e derrubando os materiais. Qual seria a reação? Garanto que ele não seria dispensado e muito menos estaria explicando através de nota que estava com estresse por conta do casamento", disse a presidente do Movimento Negro Unificado, Geilza Conceição.