Redes ampliam em até 30% compras de artigos da linha branca
O varejo de eletrodomésticos já começa a fazer estoques preventivos para escapar da alta de preços das geladeiras, máquinas de lavar e dos fogões, com o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) previsto para 1º de novembro. As concessionárias de veículos, por sua vez, pretendem continuar absorvendo a alta gradual do IPI dos carros. O temor do comércio é que, com o imposto integral, o ritmo de vendas tenha algum soluço no fim de ano, o melhor período de faturamento para os lojistas.
A Insinuante, líder no Nordeste, acha arriscado formar estoques com juros ainda elevados. "Não é boa estratégia especular com estoques", afirma o diretor comercial, Rodolfo França Jr. Ele pretende ampliar em 15% as encomendas de produtos da linha branca para o Natal, se a redução do IPI for mantida no último bimestre.
Nas indústrias que fornecem componentes para as montadoras houve uma aceleração das encomendas para setembro. As compras de vidros, por exemplo, cresceram 10% na Saint Gobain Sekurit, que fornece para todas as montadoras, conta o diretor Manuel Corrêa.
Ele não sabe dizer se as montadoras estão se preparando para um período mais aquecido nos últimos meses com IPI reduzido (setembro e outubro) ou se estão antecipando a produção para pôr os veículos nas concessionárias antes do fim do benefício. "Acho que tem um pouco dos dois."
Ayrton Fontes, economista da MSantos, agência de varejo automotivo, constatou numa enquete feita com grandes concessionárias que elas estão dispostas a manter o benefício do IPI menor mesmo que o governo não o prorrogue até o fim do ano. "Vamos bancar o IPI de todos os modelos de veículos para nossos clientes até janeiro ", afirma Carlos Palazzini, dono da Palazzo, que revende as marcas GM, Peugeot, Cherry e Kia.
A intenção é aproveitar a disposição do consumidor de ir às compras nesse período. Pesquisa feita pela MSantos em agosto com cerca de 400 pessoas na capital paulista mostra quase 30% pretendem comprar um carro zero até o fim do ano, mesmo com a volta do IPI.
Fonte: DIEESE
