Prefeito acusado de não pagar bolsa-renda
Mais uma polêmica está instalada na Câmara de Vereadores do município de Rosário do Catete. Desta vez, os vereadores cobram do prefeito Etelvino Barreto (PMDB) o pagamento referente ao programa bolsa-renda criado pelo município há mais de dez anos. De acordo com os parlamentares municipais, o último pagamento efetuado aos beneficiários se deu uma semana antes das eleições de 2008, o que se configura, portanto, um programa eleitoreiro. Alguns beneficiários acusam o gestor municipal de perseguição, já que a todo momento há a ameaça de retirar o benefício daqueles que não seguem a tendência política determinada pela atual gestão.
Segundo o vereador Genilson da Costa França - Neno (PSB), a Câmara vem cobrando estes pagamentos há mais de um ano, como também cobra do Prefeito a relação de todos os beneficiários do programa Bolsa-renda, mas a Prefeitura se nega a entregar. "É inadmissível que em Rosário do Catete esse tipo de coisa esteja acontecendo. Essa decisão do poder executivo local nos leva a crer que este programa é puramente eleitoreiro, já que o último pagamento efetuado se deu no período da campanha eleitoral, ou seja, em setembro de 2008. Depois disso ninguém mais recebeu, e o pior, nem sabemos ao certo quantos beneficiários existem no programa bolsa-renda porque não temos os documentos para analisar", disse Neno.
O parlamentar acrescentou também que "nesta casa legislativa, estamos impedidos de realizar um trabalho de fiscalização do poder executivo. Por conta disso, já entramos na justiça para resolver este problema e vamos aguardar as decisões. Os indícios apontam que o prefeito Etelvino Barreto está promovendo um verdadeiro desmonte na administração, já que em todas as ocasiões ele se nega a fornecer os documentos que a Câmara solicita. Recentemente o Tribunal de Justiça nos concedeu uma liminar que determina o envio da documentação, mas o atual prefeito entrou com um pedido de agravo que ainda está sendo julgado. Na prática, isso significa que nenhuma documentação foi enviada", acrescentou o parlamentar.
Na análise da vereadora Maura Cecília Santos (PDT), o Ministério Público tem o dever de cobrar do atual prefeito, o pagamento do programa bolsa-renda e de que forma este programa está sendo executado. "As informações que nós temos é que vários beneficiários já foram denunciar neste setor do judiciário, mas até agora não tiveram resposta. Na minha avaliação, é importante também que o Ministério Público investigue de que forma este programa está tendo andamento e se é realmente eleitoreiro. O poder Legislativo não pode é ficar com os braços cruzados, por conta da falta de informação. Nem os parlamentares da situação dão uma explicação nesta casa", declarou Maura.
O presidente da Associação de Moradores do povoado Siririzinho, Anderson Santos é um dos que reclamam da falta de pagamento e das condições em que os moradores vivem atualmente. "Desde setembro de 2008, os moradores do povoado siririzinho não recebem o benefício de R$ 95 referente ao programa bolsa-renda. A maioria não tem renda para sobreviver e depende deste benefício. A desculpa do prefeito é que está fazendo um recadastramento dos participantes, mas quando vai terminar isso? Por que ninguém vê equipe na rua." questionou.
"O que vemos atualmente é uma população sofrendo em um município que arrecada mais de R$ 3 milhões e possui somente meio povoado, já que Siririzinho pertence também ao município de Siriri. Dizemos que temos um filho de dois pais e somos órfãos, já que os serviços de saúde, educação e outros funcionam de forma precária. Saneamento básico não existe e a população vive de programas sociais. O detalhe é que duas grandes indústrias estão instaladas e os royalties pagos não são revertidos em benefícios à comunidade. Como admitir isso?" Questionou mais uma vez.
A servente Maria Luiza de Andrade, (Maria Pezinho) é uma das beneficiárias do programa bolsa-renda e também denuncia que não está recebendo o pagamento. "Além de eu não está recebendo o pagamento, sou perseguida pelo prefeito, por não fazer parte da agremiação política dele. Como vou fazer parte de uma agremiação política que nada faz pela cidade? Nem o dinheiro do bolsa-renda para sobreviver estou recebendo! Só consigo pagar as minhas contas de água e luz quando alguém me dá. Para se ter uma ideia, minha casa está caindo, escorada com estacas e a Prefeitura nada faz para resolver. Minha situação é precária. Quero providências", reivindicou Maria Pezinho.
Da Empauta.
