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Sergipe

Agricultores apostam na diversificação produtiva

As famílias do Luiz Beltrano contam com novos trunfos para darem o próximo passo. (Divulgação)

O chuvoso inverno nordestino torna ainda mais visível a transformação iniciada há quatro anos. Em uma área antes ocupada por uma fazenda improdutiva, o cinza da paisagem semiárida dá lugar a um extenso tapete verde, cortado apenas por pequenas cercas e áreas reservadas à criação de animais.

Um cenário diferente, encontrado em um pedaço de terra situado na zona rural do município de Nossa Senhora da Glória, no território do Alto Sertão Sergipano. Um lugar onde a dedicação na lida com a terra, aliada a um conjunto de políticas públicas, vem transformando a realidade de 20 famílias de agricultores.

Assentado pelo Incra no projeto batizado de Luiz Beltrano, o grupo consolida no local uma experiência que já começa a apresentar os primeiros bons resultados. Apostando na diversificação produtiva, os agricultores, aos poucos, vão alcançando sua independência e planejando passos ainda mais ousados para o futuro. “A gente queria a terra e hoje trabalha muito nela. Apesar das dificuldades do semiárido, produzimos bastante, plantando de tudo e criando os animais. Quase tudo o que a gente precisa sai do próprio assentamento. E logo também teremos condições para aumentar a produção e vender para fora”, projeta José Almir Góes, de 42 anos, uma das lideranças do assentamento.

Para se instalarem na área e iniciarem a criação de galinhas, bovinos, caprinos e ovinos e o plantio de palma, milho e feijão, entre outras culturas, as famílias assentadas foram beneficiadas pelas políticas públicas que compõem o Programa Nacional de Reforma Agrária. Por meio dele, tiveram acesso ao Crédito Instalação, que oferece recursos para a compra de alimentos, destinados à manutenção familiar durante os meses iniciais, a construção de moradias e a aquisição de sementes, animais e implementos agrícolas para o início da produção. “O apoio que tivemos no começo do assentamento foi fundamental. A gente entra sem nada e precisa de uma ajuda para começar a trabalhar. Todo mundo aqui é muito trabalhador e com esse incentivo do Incra a gente conseguiu deixar o assentamento desse jeito, produzindo quase tudo o que a gente precisa”, afirmou Góes.

Fortalecimento da produção

Depois da conquista da independência, com uma produção bastante variada de alimentos, as famílias do Luiz Beltrano contam com novos trunfos para darem o próximo passo.

Com o auxílio de um engenheiro agrônomo, que presta assistência técnica na área, e o acesso à primeira linha do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), elas intensificaram o trabalho de roça e esperam ainda para o final da próxima safra resultados bastante animadores. “O inverno este ano está sendo bom. Tem chovido muito e a produção vai ser boa. Talvez dê até para começar a vender aqui nas feiras”, analisou Góes.

Planos que, para as famílias, ressaltam a importância do Pronaf no desenvolvimento do assentamento. “A gente começou a pegar o dinheiro do Pronaf em maio deste ano. E é um dinheiro fundamental para a gente. Posso até dizer que sem o Pronaf eu não conseguiria nada. Com ele, eu coloquei cerca, fiz barragem e roça. Tudo o que eu tenho e o que eu ainda vou tirar da terra vêm dessa ajuda do Pronaf”, afirmou Maria César Santos, de 42 anos, a Dona Véia, uma das moradoras do Luiz Beltrano.

Em todo o assentamento, 14 das 20 famílias já tiveram acesso aos recursos do programa. Outras seis ainda aguardam a liberação dos recursos, retidos temporariamente por problemas de documentação ou por dificuldades operacionais do banco. “A gente torce para que o banco libere o dinheiro para quem ainda não recebeu, para que todo mundo possa pagar suas contas e aproveitar esse período de chuvas para plantar. O trabalho já está bom e com um pouco mais de agilidade no pagamento do Pronaf vai melhorar ainda mais”, afirmou Carlos Santos Andrade, de 28 anos, presidente da associação de moradores do assentamento.

Outra aposta: Biocombustíveis

Além das diversas culturas desenvolvidas para o sustento das suas famílias, os agricultores do Luiz Beltrano apostam também em uma cultivo ainda pouco difundido na região.

Inseridos em um programa desenvolvido pela Petrobrás Biocombustíveis, os assentados iniciaram este ano o plantio de girassol. A planta, que tem suas sementes doadas pela Petrobrás e que, posteriormente, tem sua safra comprada pela própria multinacional, será destinada à produção de biodiesel. “A gente planta e depois vende para a Petrobrás e, assim, consegue garantir uma renda. É um programa muito bom para o assentado”, afirmou Góes.