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Sergipe

Almeida defende orçamento democrático e vai seguir a orientação de Renan


O senador José Almeida Lima - presidente da Comissão Mista do Orçamento - defendeu ontem a elaboração de um orçamento "mais democrático possível" para o próximo ano. "Minha postura na comissão será republicana, o que, em síntese, significa o respeito ao princípio da coisa pública e não da ´cosa nostra´ (máfia)", disse o senador sergipano em entrevista ao jornal Valor.
Ele ressaltou, no entanto, que "sem prejuízo da aplicação na prática desse princípio republicano, não serei hipócrita de dizer que, como integrante do PMDB, eu não receba orientações dos canais competentes que o partido tem. E quais são? A bancada e o líder (Renan Calheiros). Claro que recebo orientação do meu partido", afirmou Almeida.
De acordo com a reportagem do Valor, "brigão como integrante da chamada ‘tropa de choque` de Renan no Conselho de Ética do Senado, Almeida Lima quer que, sob sua presidência, a comissão elabore um Orçamento "o mais democrático possível". Isso significa, segundo ele, um processo participativo, com a realização de audiências públicas e reuniões em Estados, para verificar in loco demandas da população".
Almeida também defendeu um Orçamento da União que contribua para diminuir as desigualdades regionais e sociais. "Com esse objetivo, a comissão pode dar prioridade a investimentos em regiões mais carentes, como o Nordeste", disse, acrescentando que os membros da CMO devem discutir a questão da Amazônia, da segurança pública e outros problemas do país.
"O Orçamento não pode ser uma peça de ficção, distante da realidade do país. Isso só pode ser efetivado se você ouvir. Audiências públicas têm que ser uma constante na comissão", afirmou. Segundo ele, a ideia é criar grupos, (ou comitês) como ele chama, para fazer reuniões em Estados de modo a discutir questões específicas.
Almeida Lima minimiza o fato de estar sob seu comando a elaboração do Orçamento da União para o último ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva e período de sucessão presidencial e de eleições gerais no país. Para ele, essa é apenas uma "circunstância, que não vai ter nenhuma influência para a confecção do Orçamento".
O senador também mostrou mais preocupação com eventuais influências da crise financeira no trabalho da comissão. "Temos que estudar com profundidade como a crise poderá dificultar a execução do Orçamento do ano passado e como ele foi aprovado. Mas não podemos usar a crise como desculpa. A classe política tem sabedoria para driblar a crise, trabalhar e elaborar uma peça orçamentária que venha minorar, diminuir os efeitos maléficos da crise."