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Sergipe

Representantes do Ministério da Saúde discutem combate à dengue em Sergipe

Representantes do Programa Nacional de Controle da Dengue, do Ministério da Saúde (MS) está em Sergipe para discutir a utilização de um novo larvicida. O produto apresentado é o Diflubenzuron, que substituirá o Temephos, atualmente usado pelos agentes de endemias de todo o estado. As reuniões acontecem até esta sexta-feira, 27, no auditório da Secretaria de Estado da Saúde (SES), e têm como público alvo técnicos de Itabaiana, Aracaju e região metropolitana.

"A apresentação do novo produto já é na verdade uma espécie de treinamento", esclareceu a assessora técnica do programa, Ima Braga, que juntamente com a consultora do MS, Roberta Gomes Carvalho, explicou aos participantes do treinamento as características do Diflubenzuron, as diferenças existentes entre ele e o Temephos, como age no combate à larva do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, e como pode ser utilizado.

De acordo com a coordenadora do Núcleo de Endemias do Estado, Sidney Sá, a recomendação da troca do larvicida partiu do Ministério, com base em análises laboratoriais feitas nos últimos dois anos. "Na capital e em Itabaiana foi detectada a resistência do vetor à ação do Temephos, por isso que eles estão sendo os primeiros municípios a receberem esse treinamento. A idéia é que, logo depois, eles já comecem a trabalhar com o Diflubenzuron", disse a bióloga.

Sidney acrescenta que a SES estendeu a convocação aos municípios da região metropolitana por conta da proximidade territorial com Aracaju e por possuírem um número considerável de imóveis. "Numa etapa posterior e de forma gradativa, a gente vai discutir o assunto com as demais cidades sergipanas e, em parceria com o governo federal, promover capacitações para os técnicos de endemias dessas localidades", adiantou a coordenadora.

Em Aracaju, a Coordenação de Vigilância Epidemiológica do município já planeja capacitar, em abril, os cerca de 400 agentes de endemias atualmente em atividade. "A previsão é que, a partir de maio, o Diflubenzuron comece a ser aplicado, mas antes vamos fazer um levantamento do índice de infestação do mosquito em todos os bairros da capital", informou Taíse Cavalcante, responsável pelas ações da Secretaria Municipal da Saúde no combate à dengue.

Diflubenzuron

O produto age como um controlador de crescimento de insetos. No caso do Aedes aegypti, ele inibe a formação da cutícula - a "pele" - das larvas, impedindo seu desenvolvimento. Depois que o Diflubenzuron é aplicado, elas têm dificuldades na mudança periódica de pele, conhecida como ecdise. A conseqüência disso é que a cutícula mal formada pode não conseguir dar suficiente suporte aos músculos do inseto, resultando na morte das larvas e cortando o ciclo da doença na fonte.

Biodegradável, o Diflubenzuron não é tóxico e, portanto, não causa qualquer dano ao meio ambiente. "Trata-se de um produto avaliado pela OMS [Organização Mundial da Saúde] e registrado pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]", garantiu Ima Braga. Segundo ela, a recomendação pelo uso do Diflubenzuron vem sendo feita pelo Ministério da Saúde em diversas localidades do país. "Atualmente, ele já é utilizado nos estados do Pará, Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte e Minas Gerais", informou a assessora técnica do MS.

Fonte:ASN