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Sergipe

CUT repudia aumento da tarifa de ônibus e mantém mobilizações

Desde o anúncio do SETRANSP propondo o reajuste, a CUT se posicionou contrária a qualquer proposta

A prefeitura municipal de Aracaju anunciou Nessa sextafeira (28) mais um reajuste na tarifa de ônibus. A partir da próxima segunda-feira (31), os trabalhadores e estudantes de Aracaju e região metropolitana passam a pagar R$ 2,25 por uma viagem de ônibus.

Para os representantes da Central Única dos Trabalhadores de Sergipe (CUT/SE), a prefeitura municipal demonstrou que está ao lado do empresariado, defendendo os seus interesses e onerando a classe trabalhadora.No início do ano, o Sindicato das Empresas de Transportes de Pessoas (SETRANSP), solicitou reajuste de 16,67%, propondo a tarifa em R$ 2,45

Desde o anúncio do SETRANSP propondo o reajuste, a Central Única dos Trabalhadores de Sergipe (CUT/SE) se posicionou contrária a qualquer proposta de aumento da tarifa por entender que o aumento representa um duro golpe nos trabalhadores aracajuanos.

Com mais esse aumento, o valor da tarifa na capital sergipana aumentou 150% em 10 anos, passando o valor de R$ 0,90 em 2000 para R$ 2,25. De acordo com o vice-presidente da CUT/SE, Cristiano Cabral, "o índice de reajuste é superior ao valor da inflação no último período, bem como do reajuste do salário mínimo. Ou seja, a nova tarifa piora as condições de vida do aracajuano, representando uma atitude que contraria a intenção de tornar Aracaju uma capital que preza pela qualidade de vida".

É preciso discutir a qualidade do transporte

Para a CUT o serviço prestado pelas empresas de transporte é de péssima qualidade. "Os empresários exploram os trabalhadores do setor (motoristas e cobradores), oferecem ônibus velhos e superlotados, falta de acessibilidade, impontualidade nos itinerários. Mas, no momento de solicitar reajuste, exibem uma retórica vazia para conseguir ampliar seu poderio econômico, mesmo contrariando o interesse público, o meio ambiente e a qualidade de vida", enfatiza Cristiano Cabral.

O presidente da CUT/SE, Rubens Marques, o Dudu, concorda e defende que antes de pensar em aumento da tarifa é preciso discutir a qualidade do transporte. "Ainda é pouca a quantidade de ônibus com rampa de acesso para deficiente e muitos trabalhadores não conseguem pegar o transporte porque os ônibus vivem lotados, o que é uma falta de respeito", afirmou.

Participação social na definição das tarifas

Segundo Dudu, é preciso também democracia e transparência no serviço público de transportes. "É preciso que seja realizada uma auditoria das planilhas de custos e lucros e a partir daí ser feito o debate. Não dá para o empresário sozinho achar que deve aumentar o valor da tarifa sem consulta ao usuário do dia-dia", afirmou.

Concordando com Dudu, Cristiano denuncia que o processo de definição do índice é obscuro e autoritário, uma vez que, "por exemplo, a composição do conselho não tem paridade entre representantes do poder público e da sociedade, além de não haver a devida publicidade (de forma didática) para a população no sítio eletrônico da prefeitura acerca dos custos e lucros das empresas do setor".

Para a CUT, o transporte público representa o direito à mobilidade e os valores atualmente cobrados constituem obstáculo à concretização deste direito por parcela significativa da população que percorre longas distâncias à pé ou de bicicleta por não comportar os preços das passagens em seu orçamento mensal.

Por outro lado, segundo Cristiano Cabral, deve-se registrar que um transporte coletivo de qualidade significa melhoria no meio ambiente da cidade, pois levará mais pessoas a utilizar os ônibus e deixar seus carros particulares em casa.

Ato Público e Protocolo no MP

Desde o primeiro momento, a CUT defende o congelamento da tarifa; auditoria pública da planilha de custos e lucros das empresas; abertura de licitação para o serviço de transporte; repúdio a qualquer espécie de desoneração dos empresários. Para tal, diversas mobilizações e atos foram realizados na capital.

No dia 12 de janeiro, a CUT realizou seu primeiro Ato Público contra a proposta de aumento da tarifa. O Ato aconteceu no Calçadão da João Pessoa e conseguiu dialogar com a sociedade e mostrar a indignação da Central. Nesse mesmo dia, a CUT protocolou ofício no Ministério Público solicitando providências do órgão, principalmente no que diz respeito à apresentação das planilhas de custos e lucros das empresas.

"Nós sugerimos ao MPE que convoque o SETRANSP, a Prefeitura de Aracaju e a CUT/SE, como representante dos trabalhadores, para discutirmos não só a planilha de custos das empresas, mas também a planilha de lucros. Há muito a sociedade sergipana clama por um transporte público de qualidade com transparência e participação popular no processo de definição das tarifas. O debate central dessa situação é a questão da licitação. Aqui em Aracaju não se faz licitação para o transporte público. Se o Ministério Público aceitar a nossa sugestão de debate, nós vamos dar um grande passo, de fazer com que a sociedade se envolva e possa, cada vez mais, fazer parte das decisões que dizem respeito a ela", confirmou Dudu.

Fonte: ASCOM CUT/SE