Alunos com necessidades especiais serão privilegiados com novas instalações
Conforme o Censo Escolar 2009, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), exatos 1.428 alunos com Necessidades Educacionais Especiais (NEES) se matricularam na rede pública estadual de ensino - o relatório é fechado ao final de cada ano letivo.
Na escola situada no bairro Grageru, em Aracaju, 29 deles convivem de forma harmônica em meio aos demais. "Aqui os outros tomam conta dos colegas que precisam de um cuidado a mais", ressalta a professora Marcelina Maria dos Santos, uma das quatro do Leite Neto que atuam exclusivamente no atendimento educacional especializado.
O ambiente que tem levado Valdilene a se aproximar cada vez mais da realização de seu sonho simboliza um novo momento da Educação estadual. Por meio da adequação arquitetônica e pedagógica das escolas públicas sergipanas, o objetivo do Governo do Estado é inibir ou coibir qualquer forma de resistência ao processo inclusivo.
Investimentos
Somente com a instalação de rampas e banheiros para pessoas com necessidades especiais, a atual gestão do poder público estadual já beneficiou 40 escolas. "Ao todo o Governo vai reformar 87 escolas e todas serão adequadas de acordo com o padrão universal de acessibilidade", afirma o governador em exercício, Belivaldo Chagas, destacando que os investimentos com as reformas chegarão aos R$ 47 milhões.
Mais do que isso, ainda este ano cerca de 205 escolas receberam verbas direcionadas à acessibilidade e já começaram a executar os projetos para efetuar as licitações e dar início às obras. A expectativa é que tudo esteja pronto já no primeiro semestre de 2011. "O que se pretende a partir daí é contemplar a questão da inclusão. O ideal é que ambos os estudantes, com necessidades especiais e sem deficiência, convivam naturalmente", coloca Belivaldo.
Atenção diferenciada
Além dos elementos básicos de acessibilidade, que contam ainda com os pisos táteis, as melhorias em andamento também vêm garantindo a aquisição de itens específicos, como máquinas de escrever em Braille, computadores com monitores em alta resolução e objetos lúdicos que proporcionam ao aluno o aprimoramento das funções nas quais ele mais apresenta dificuldades.
Boa parte desse conteúdo é utilizada nas Salas de Recursos Multifuncionais, frequentadas no contraturno do ensino regular. "Elas visam complementar ou suplementar os conteúdos trabalhados nas salas comuns de forma a romper as barreiras que impedem o acesso destes alunos ao conhecimento", coloca a diretora da Divisão de Educação Especial (Dieesp) da Seed, professora Maria Aparecida dos Santos Nazário.
Geralmente os alunos assistem às aulas pela manhã, junto às respectivas turmas, enquanto à tarde passam por esse trabalho específico. "Não é um reforço escolar, apenas trabalhamos as necessidades deles para que possam acompanhar os demais", explica a professora Marcelina.
Até o momento 122 salas do tipo foram distribuídas entre as escolas do Estado, sendo duas na Senador Leite Neto. "O melhor é que a gente acaba aprendendo brincando", opina o deficiente visual Danilo Silva Serrano, 16, estudante do 7º ano. Feliz com a estrutura da qual dispõe, ele conta que em nenhum momento se vê diferente dos colegas: "Gosto das aulas e também de jogar futebol".
Capacitações
Outra frente de ação do Governo com o foco na inserção dos alunos especiais consiste na capacitação de todos os docentes que integram a rede. "A Seed, em parceria com Ministério da Educação, vem oferecendo diversos cursos nas modalidades presencial e à distância para professores da rede pública estadual de ensino com o objetivo de dotá-los de conhecimentos teóricos e práticos que viabilizem e deem suporte à sua prática docente", ressalta a professora Maria Aparecida.
Segundo ela, entre 2007 e 2009 foram capacitados 2001 profissionais. Já em 2010, através do Projeto Tecendo Saberes sobre o Atendimento Educacional Especializado, a Dieesp realizou o curso de formação continuada para cerca de 120 professores que atuam ou irão atuar em Salas de Recursos Multifuncionais.
"A Educação também realiza palestras com gestores e professores, com o intuito de informá-los e conscientizá-los sobre o novo paradigma da Política de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva", complementa a diretora da Dieesp.
E o resultado vem com o entusiasmo dos maiores beneficiados. "É muito bom tanto a estrutura da escola quanto o trabalho dos professores. São coisas que têm melhorado bastante", atesta o deficiente visual Pedro Dantas Ribeiro, 17, aluno do 8º ano na Escola Leite Neto. Com sua máquina Braille em mãos e uma audição bem apurada, ele conta que consegue manter-se sempre em dia com as tarefas e temas abordados em sala de aula.
Nova mentalidade
Atrelada a uma boa estrutura, com professores habilitados, o processo que leva a uma inclusão plena dos menores com Necessidades Educacionais Especiais passa ainda pelo apoio dos colegas. "Aqui não há diferenças. Todos eles se tratam como se as deficiências não existissem", conta a professora Marcelina dos Santos, destacando o cuidado dos menores ao lidar com determinadas situações. "Às vezes um aluno vê que o colega deficiente visual está prestes a pisar em falso e logo grita ou vai correndo ajudar", revela a professora.
Assim nasceu um forte laço de amizade entre o deficiente visual Danilo Silva e seu colega de turma Igor Alexandre Dantas, 13. Durante a aula, Igor sempre põe seu assento ao lado do amigo e lhe transmite tudo que é ditado pelos professores. "Já faz ‘um tempinho` que faço isso. Eu gosto de ajudar ele, é meu amigo", conclui o menor.
Libras
Ainda com a finalidade de eliminar barreiras no processo inclusivo, o Governo prevê a inserção de vagas para professores de Libras (Língua Brasileira de Sinais) já nos próximos concursos e seleções que forem realizadas para o preenchimento de vagas na Educação estadual.
"É algo que até então não havia sido deflagrado porque a regulamentação da profissão de interprete de Libras só saiu agora em setembro", observa a diretora da Divisão de Educação Especial da Seed.
A professora Maria Aparecida explica também que os profissionais bilíngües (dominam Português e Libras) estarão presentes nas séries iniciais do ensino fundamental. Além disso, a perspectiva é que a partir do 6º ano, todas as turmas que possuem ao menos um aluno surdo tenham sempre um intérprete presente.
Com informações da ASN
