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Sergipe

Dirigentes do PSOL decidem pela retirada da candidatura da professora Avilete

Dirigentes e militantes do PSOL realizaram uma reunião na noite dessa quinta-feira (30) e decidiram pela retirada da candidatura da professora Avilete Cruz ao governo do Estado. A decisão foi baseada em algumas declarações da candidata durante a campanha eleitoral. Na manhã desta sexta (1º), a Executiva Estadual realizou uma coletiva para imprensa e explicou a decisão.

De acordo com o presidente estadual do PSOL, Heitor Pereira, três fatos fizeram com que o partido decidisse pela retirada da professora. "No início da campanha Avilete substituiu no TRE o programa de governo do partido, que já estava aprovado, por um redigido por ela e em nenhum momento ela consultou o PSOL a respeito da alteração", revelou.

A declaração da professora Avilete que teria dito ser contra a legalização do aborto também foi um dos motivos levados em consideração. "Ela se mostrou contra uma posição nacional do partido, um tema que já foi discutido e aprovado em esfera nacional pelos integrantes do partido", explicou Heitor. Ainda segundo o presidente, uma declaração contra a candidata a presidência Dilma Roussef (PT) teria sido desaprovada pelos militantes. "Avilete chamou a candidata Dilma de terrorista, o que consideramos um desrespeito com aqueles que lutaram durante a ditadura militar", afirmou.

"Ela utilizou uma expressão típica de direita conservadora, o que tornou impossível continuar caminhando com Avilete como candidata, pois tal atitude descaracteriza a política do partido e a própria ética socialista que o PSOL vem construindo entre os trabalhadores e os jovens", concluiu.

Na reunião também ficou definido que a professora Avilete Cruz será afastada do partido por tempo indeterminado, o diretório estadual também vai pedir ao PSOL nacional a expulsão dela do partido.

Diante das decisões do partido a candidata garante que irá recorrer da decisão assim que for notificada oficialmente pelo TRE. A professora Avilete, que afirma não se arrepender das declarações, irá conceder uma coletiva de imprensa nessa tarde de sexta (01).

TRE

Para o juiz ouvidor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Anselmo Oliveira, esse é um caso inédito. "Nunca soube de uma situação assim na história do Tribunal, agora vamos conhecer os argumentos do partido para analisar o pedido. O Ministério Público Eleitoral também deverá se manifestar e depois o pleito irá decidir sobre a questão", explicou.

No caso da candidatura ser retirada não haverá mudanças nas urnas eletrônicas. "A essa altura as urnas já estão carregadas e estão sendo distribuídas, por isso não terá mudanças. Na urna vão aparecer a foto e o número da candidata e ela poderá até receber votos, sendo que serão considerados nulos e não farão parte do total de votos válidos", revelou.