Quadrilha desarticulada gerou prejuízo de R$ 40 milhões da Petrobras
A Polícia Civil de Sergipe detalhou na manhã desta quarta-feira (21), a operação "Corcel Negro", que desarticulou uma quadrilha acusada de furtar canos, tubos, hastes e brocas utilizadas na extração de petróleo nos poços da Petrobras em Sergipe. A estimativa é de que os prejuízos causados pelo grupo tenham chegado a ordem de R$ 40 milhões no período de dois anos. As investigações iniciaram há seis meses e terminaram com a prisão de 16 pessoas nos municípios de Aracaju, General Maynard, Japoatã, Laranjeiras, Itabaiana, Nossa Senhora das Dores e Siriri.
Segundo a polícia, a quadrilha era muito bem articulada e foi dividida em quatro categorias pela Polícia Civil: autores do furto, transportadores, facilitadores e receptadores. Os autores dos furtos nos poços foram identificados como Carlos José de Oliveira, o "Uréia", José Cleverlan de Jesus Silva, o "Binho", Max Henrique de Jesus Silva, o "Bea", e Cícero Barbosa de Jesus, conhecido como "Cícero". Na categoria de transportadores dos produtos furtados foram identificados os motoristas José Gutenberg de Oliveira, o "Nal Carrateiro" e Marcos Correia Dantas, vulgo "Marcos".
Com relação aos facilitadores, a polícia identificou um funcionário e um ex-funcionário terceirizado da Petrobras que facilitavam a entrada dos comparsas nas unidades da empresa bem como permitiam a subtração de equipamentos que eram destinados para leilão e transportados para poços. São eles: o ex-funcionário da Petrobras, que apesar de não trabalhar mais na empresa tinha fácil acesso as dependências da empresa, Luiz Amilton Sobrinho, conhecido como "Milton" e Manoel Balbino Ferreira, o "Balbino". Toda essa teia terminava com o repasse dos produtos para os receptadores identificados como Carlos Alberto Ferreira da Silva, o "Bolero", Artemio Ramos dos Santos, "Artemio", um homem de pré-nome Cláudio ou "Cláudio da Pedra Branca", Aerton Oliveira dos Reis, o "Aerton", José Sérgio dos Santos, o "Santos" e José Bonfim dos Santos Lopes, o "Bonfim".
De acordo com a polícia, todo o esquema era centralizado na figura de "Binho", que conhecia os demais integrantes e também era o responsável por cooptar mais membros para a quadrilha. As investigações compostas por fartas documentações, vídeos e fotos detalham cada passo do esquema e mostram como os receptadores aumentaram o patrimônio pessoal nesse período.
"Segundo informações da empresa, os prejuízos nos últimos dois anos chegam a cerca de R$ 400 milhões em cinco Estados do Nordeste: Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte", enfatizou o delegado Gabriel Nogueira, da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol), ressaltando que em boa parte dos furtos os funcionários facilitavam, "mas em outros casos os materiais eram deixados próximos a poços em manutenção e simplesmente desapareciam".
O delegado explicou ainda, que o funcionário terceirizado, mesmo não sendo empregado efetivo da empresa a representava, por isso vai responder pelo crime de peculato, exclusivo para funcionários públicos. Durante as diligências, os policiais recuperaram cerca de 30 toneladas em equipamentos e na casa de "Ureia" foi encontrada uma espingarda de fabricação caseira. Já na residência de José Gutenberg, os policiais encontram uma pistola calibre 765 e um revólver calibre 38. "Todo o material recuperado está guardado na unidade da Petrobras e ficará à disposição da Justiça", finalizou Gabriel. Os acusados responderão por furto, peculato (latrocínio) e formação de quadrilha.
Com informações da SSP/SE
Matéria atualizada às 12h19 no dia 21/07
