Quando o câncer de um familiar também deve acender o alerta para você?
Geneticista Ana Karolina Maia explica quais características do histórico familiar podem indicar predisposição hereditária ao câncer
Portal A8SE e Assessoria
O diagnóstico de câncer em uma pessoa da família costuma trazer uma dúvida para filhos, irmãos e outros parentes: eu também tenho maior risco de desenvolver a doença? A resposta não é automática. A maioria dos cânceres não é causada diretamente por uma alteração genética herdada, mas existem situações em que o histórico familiar pode revelar uma predisposição que merece investigação.
É justamente nesse ponto que a genética médica ganha espaço cada vez maior na prevenção e no cuidado oncológico. Segundo a médica geneticista Ana Karolina Maia, observar o histórico familiar pode ajudar a identificar quem deve passar por uma avaliação especializada.
“Não basta saber que houve câncer na família. É preciso entender quais tipos de tumor ocorreram, quantas pessoas foram diagnosticadas, o grau de parentesco entre elas e, principalmente, a idade em que a doença apareceu. É a combinação dessas informações que pode levantar a suspeita de uma predisposição hereditária”, explica.
Entre os sinais que podem justificar uma avaliação genética estão diagnósticos de câncer em idades mais jovens do que o habitual, vários familiares com determinados tipos de tumor, uma mesma pessoa com mais de um câncer primário e padrões específicos de tumores que se repetem entre diferentes gerações da família.
Isso não significa que quem tem pai, mãe ou irmão com câncer necessariamente desenvolverá a doença. Também não significa que toda família com vários casos de câncer tenha uma síndrome hereditária. A avaliação genética serve justamente para diferenciar situações comuns daquelas em que há elementos suficientes para uma investigação mais aprofundada.
Quando o diagnóstico deixa de ser apenas individual
A oncogenética, área que reúne conhecimentos da genética e da oncologia, permite avaliar se determinadas alterações hereditárias podem estar relacionadas ao desenvolvimento do câncer. Quando uma predisposição é identificada, a informação pode ser relevante não apenas para quem já está em tratamento, mas também para seus parentes biológicos.
“Em algumas situações, o diagnóstico de um paciente passa a trazer uma informação importante para toda a família. Se existe uma alteração hereditária, outros familiares podem precisar de avaliação. Isso permite identificar quem realmente apresenta risco aumentado e definir um acompanhamento adequado para cada pessoa”, afirma Ana Karolina.
A especialista ressalta, no entanto, que teste genético não deve ser encarado como um exame de rotina para qualquer pessoa que tenha um caso de câncer na família. A indicação depende da avaliação do histórico pessoal e familiar e deve estar associada ao aconselhamento genético, inclusive para que o paciente compreenda as possíveis implicações do resultado.
O conhecimento sobre predisposições hereditárias também vem modificando a própria assistência oncológica. Dependendo do tumor e da alteração genética envolvida, a informação molecular pode contribuir para decisões relacionadas ao acompanhamento, à prevenção e, em situações específicas, à estratégia terapêutica.
Simpósio
Essa discussão será levada ao I Simpósio Uro-Onco Alagoas e Sergipe, que acontece nos dias 25 e 26 de setembro. A programação reúne especialistas para discutir diferentes aspectos dos cânceres urológicos, incluindo tumores de próstata, bexiga e rim, além de oncologia de precisão, imunoterapia, cirurgia e decisões multidisciplinares.
A geneticista participa da programação no sábado (26) com o tema “Quando o câncer de um paciente vira assunto da família”. A apresentação integra o bloco “Além do controle do tumor”, que encerra a programação científica do encontro.
