Dois suspeitos de fraudar certidões para emissão de RGs falsos são presos em Capela
Segundo delegado, o grupo investigado utilizava certidões de nascimento falsas de pessoas com idades entre 60 e 70 anos.
Redação do Portal A8SE
Dois homens foram presos durante uma operação policial no município de Capela, deflagrada na manhã desta quinta-feira (11). Eles são suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em falsificação de certidões de nascimento para emissão de carteiras de identidade falsas.
Segundo o delegado Wanderson Bastos, as investigações identificaram a solicitação de cerca de 200 carteiras de identidade, no entanto, grande parte dos documentos não chegou a ser entregue aos usuários. O grupo utilizava certidões de nascimento falsas de pessoas com idades entre 60 a 70 anos.
“Pessoas que tinha nascido, por exemplo, em Itabaiana, na década de 50 e vinha de 2000 para cá com uma certidão de nascimento emitida em Santo Amaro das Brotas, como sendo da comarca de Barra dos Coqueiros, sendo que não pertencem à mesma comarca, ficando evidente a falsificação para a produção de uma nova documentação falsa”, explicou.
As fraudes indicam que a organização estaria tentando obter vantagens tanto na emissão de benefícios financeiros previdenciários, quanto de viés político para ampliação da base eleitoral na região. “Mas tudo isso virá à tona de forma mais concreta a partir da análise que será feita pela inteligência em face dos equipamentos eletrônicos que foram apreendidos”, disse Wanderson Bastos.
Os envolvidos no grupo criminoso serão indiciados pelos crimes de organização criminosa, falsificação de documento público, corrupção ativa e corrupção passiva. As pessoas que se utilizem desses documentos poderão ser indiciadas pelo crime de uso de documentação falsa.
As investigações continuam para identificar outras pessoas que possam estar envolvidas com o esquema de falsificação, uma vez que foi constatado um derrame da documentação em algumas cidades no interior de Sergipe.
Polifemo
A operação foi batizada de Polifemo em alusão à uma personagem da mitologia grega. “Um ciclope, enganado por Ulisses, que disse que seu nome era ninguém, foi vítima de um crime, que ficou em pune, pois, quando perguntado o que estava acontecendo, ele disse que estava sendo assassinado por ‘ninguém’. Então a ausência de identidade possibilitou a prática de um crime que ficou sem resposta. Nesse caso, o uso de identidade falsa estava possibilitando a prática de diversos crimes”, narrou o delegado.
Participaram da ação equipes do 9º Batalhão da Polícia Militar (9º BPM), do Núcleo de Investigação do Instituto de Identificação e da Divisão de Inteligência (Dipol).
