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Igreja Católica enfrenta polêmica com judeus em plena Páscoa

A Igreja, acuada por escândalos de pedofilia, celebra um Sábado de Aleluia marcado por nova polêmica

30/09/2015 19h59
Igreja Católica enfrenta polêmica com judeus em plena Páscoa
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A Igreja Católica, acuada por escândalos de pedofilia, celebra um Sábado de Aleluia marcado por uma nova polêmica. Grupos judeus de todo o mundo reagiram negativamente após um pregador do Vaticano ter comparado as críticas recebidas pelo Vaticano pelos casos de abusos sexuais de crianças ao "antissemitismo" sofrido pelos judeus.

Nesta sexta-feira, na liturgia da Paixão de Cristo na basílica de São Pedro, o sacerdote Raniero Cantalamessa leu uma carta que disse ter recebido recentemente de um `amigo judeu`. Os ataques atuais à Igreja, abalada por escândalos de pedofilia, fazem lembrar `os aspectos mais penosos do antissemitismo`, afirmou o padre Cantalamessa.

Líderes judeus usaram palavras como repugnante, obsceno e ofensivo para descrever o sermão. Para piorar a situação, a declaração foi feita justamente no dia em que, por séculos, os cristãos rezaram para a conversão de judeus, que já foram considerados coletivamente responsáveis pela morte de Jesus.

"Estou completamente pasmo com isso. É uma loucura", disse Amos Luzzatto, ex-presidente das comunidades judias da Itália.

O rabino chefe de Roma, Riccardo Di Segni, que recebeu o papa Bento 16 na sinagoga da capital italiana, em janeiro, disse: "Isso é de muito mau gosto."

"Como você pode comparar o peso coletivo infligido aos judeus, que causou a morte de dezenas de milhões de inocentes, a perpetradores que abusaram de sua fé e posição ao abusar sexualmente de crianças?", perguntou o rabino Marvin Hier, do centro Simon Wiesenthal, grupo internacional de direitos judeus.

`É uma impertinência e um insulto para as vítimas dos abusos sexuais, assim como para as vítimas do Holocausto`, declarou Stephan Kramer, secretário-geral do Conselho Central dos Judeus da Alemanha.

A tensão entre católicos e judeus retornou em dezembro, quando Bento 16 acelerou o processo de beatificação do Papa Pio 12I, acusado de ter permanecido em silêncio diante do Holocausto. Também aconteceram atritos no início de 2009, quando o Vaticano suspendeu a excomunhão do bispo negacionista Richard Williamson.

Fonte: Folha Online

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