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Desabrigados passam Páscoa em tendas na Itália; mortos são 294

30/09/2015 19h08
Desabrigados passam Páscoa em tendas na Itália; mortos são 294
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Os mais de 55 mil italianos que ficaram desabrigados após o terremoto que devastou Áquila e mais 26 cidades da região de Abruzzo, na segunda-feira (6), passaram o domingo de Páscoa nas "tendópolis", os acampamentos de campanha do governo. Durante o dia, diversos novos tremores de terra foram registrados naquela região.

O total de mortos pelo terremoto alcançou 294 neste domingo, com a morte de um homem de 59 anos que permanecia internado, com ferimentos graves, conforme informações da agência de notícias Ansa. Mais 170 pessoas feridas no tremor continuam internadas em estado grave, entre elas Eleonora Calesini, retirada dos escombros com vida na quarta-feira (8), depois de passar 42 horas presa nas ruínas.

Os desabrigados celebraram a Páscoa, uma das festas mais tradicionais entre os italianos, em meio ao frio em muitas "tendópolis" há eletricidade, mas não água quente, à falta de móveis e utensílios e à tristeza pelas mortes e perda das casas. Conforme o jornal italiano "Corriere della Sera", entre 38 mil e 60 mil edifícios atingidos pelo tremor estão inabitáveis.

De acordo com o premiê italiano, Silvio Berlusconi, há 55.205 desabrigados, dos quais 21.899 estão em hotéis da área e da vizinha costa Adriática, e 33.306 estão em 196 "tendópolis", na periferia de Áquila. O premiê passou este domingo de Páscoa com desabrigados e disse que o Executivo "fará o necessário para tirar as pessoas das tendas de campanha".

Berlusconi afirmou que, em dois meses, os habitantes de imóveis que estão bem conservados poderão retornar para as suas casas.

Durante as celebrações pela Páscoa, neste domingo, o papa, Bento 16, enviou palavras de apoio às vítimas e incentivou os italianos a se unirem pela reconstrução da região. Bento 16 ainda enviou ovos de Páscoa para as crianças abrigadas nas "tendópolis" e uma quantia em dinheiro para o arcebispo da região, Giuseppe Molinari. "Estamos todos com um pouco de raiva de Deus porque não esperávamos uma tragédia tão grande. Mas até raiva de Deus é um sinal de fé", disse o arcebispo.

"Hoje meu coração pesa quando penso em todas as pessoas mortas, mas nós não podemos desistir", disse Anna Lucantonio, 65, ao rezar, com um rosário, em uma capela improvisada. "Esse rosário, uma estátua da Virgem Maria e água benta da minha romaria a Lourdes foi o que consegui tirar da minha casa, antes que ela desmoronasse."
Investigação

Com o término da busca por vítimas, anunciado neste domingo, começou a investigação, por ordem da Procuradoria de Áquila, sobre a construção dos edifícios que desabaram. Exames foram feitos em uma república de estudantes, a Casa do Estudante onde oito jovens foram mortos--, e no Hospital San Salvatore.

Segundo o jornal italiano "Corriere della Sera", alguns prédios teriam, em seus pilares, uma quantidade de ferro inferior à determinada pela norma, e, por isso, não resistiram ao tremor de segunda-feira. Segundo os peritos, se as regras antissísmicas tivessem sido respeitadas, o número de edifícios que desabaram teria sido menor, assim como o de mortos.

O procurador de Áquila, Alfredo Rossini, disse ainda neste domingo que, se ficar comprovado que construtores usaram areia de praia que custa menos, mas que, devido às impurezas e ao cloreto, corrói o ferro, eles serão presos imediatamente.

Fonte: Reuters

 

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