Medo e paranóia afetam chilenos um mês após tremor
Um mês após um tremor de 8,8 graus sacudir 80% do território do Chile e matar mais de 450 pessoas, os vizinhos sul-americanos dão os primeiros passos na reconstrução do país. Reerguer o que o terremoto colocou no chão em cerca de um minuto vai levar no mínimo três anos e pode custar mais de R$ 56 bilhões. Alguns danos, no entanto, ficarão para sempre: 20% dos moradores das áreas mais atingidas vão guardar sequelas psicológicas, segundo autoridades médicas.
Muitos chilenos da região de Concepción, a cidade mais atingida, no sul do país, ainda dormem dentro dos carros ou fora de casa. Segundo o jornal El Mercúrio, "a psicose e a paranóia sobre a possível vinda de um novo tsunami", como aquele que atingiu as cidades costeiras logo após o tremor, deixa sem sono boa parte da população local.
Fontes médicas ouvidas pela reportagem publicada nesta sexta-feira (26) falam que até 20% dos moradores da área vão guardar para sempre as lembranças (e o temor) da tragédia.
Prejuízo equivale ao PIB do Ceará
Os chilenos ainda contam os prejuízos do terremoto. Segundo o governo, as perdas podem passar dos R$ 56 bilhões, ou 20% do PIB do país. É como se toda a riqueza produzida ao longo de um ano no Estado do Ceará desaparecesse em poucos segundos.
Recuperar a normalidade, no entanto, parece ser a tarefa mais dificil. Duas semanas após a tragédia, a volta às aulas (nas escolas que continuaram em pé) significou que as coisas começavam a entrar nos trilhos. Os professores, no entanto, estão recebendo treinamento psicológico - mais que perderem suas casas e entes queridos na tragédia, muitos profissionais terão de lidar com crianças assustadas nas salas de aula.
O médico psiquiatra Jaime Sandoval, ouvido pela reportagem, diz que não só os pequenos foram afetados:
- Uma pessoa que viu sua cidade de uma mesma forma, sempre, agora terá um impacto muito forte ao ver as casas que caíram, as construções novas, o que pode gerar uma situação de deslocamento importante.
Fonte: R7
