Celebração

Sergipanidade: conheça um pouco da história e cultura da nossa gente

No próximo dia 24 de Outubro é celebrado o Dia da Sergipanidade.

Por estagiário David Almeida sob supervisão da jornalista Samara Fagundes 23/10/2020 13h17
Sergipanidade: conheça um pouco da história e cultura da nossa gente
Pritty Reis

Sergipanidade! No próximo dia 24 de Outubro é celebrado o 'Dia da Sergipanidade', uma data que surgiu há cerca de 20 anos e possui um grande significado, principalmente por enaltecer a história do nosso povo, da nossa cultura, da nossa história. Esta é a segunda data mais importante, em termos histórico-culturais, seguida do 'Dia da Emancipação Política de Sergipe', comemorada em 8 de Julho.

Mas, este ano as celebrações serão diferentes, devido à pandemia da Covid-19, museus, espaços culturais, bares e restaurantes estão com restrições, nem por isso deixaremos de curtir o dia.

Por acreditar na relevância do assunto, o Portal A8SE traz algumas das diversidades de Sergipe.

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Manifestações folclóricas sergipanas*

Sergipe possui diversas manifestações culturais que alavancam a história e o orgulho de ser sergipano, algumas delas estão representadas por oito estátuas gigantes e um barco, em um local intitulado 'Largo da Gente Sergipana', localizado em frente ao Museu da Gente Sergipana. O Largo foi entregue em Março de 2018, aos sergipanos e turistas, que precisam conhecer e explorar a diversidade cultural e histórica presentes em Sergipe. Conheça um pouco mais sobre elas:

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  • Lambe Sujo e Caboclinho

Os lambe-sujos, cujo nome se deve à tradição de pintar o corpo com carvão pisado e misturado ao cabaú, têm como personagens: o Rei Africano; a Princesa; os Embaixadores; a Mãe Suzana; o Pai Juá; o Feitor; os Tocadores e os brincantes

Já nos caboclinhos, são constituídos pelos Índios, onde se distingue o chefe, a Princesa, os Embaixadores, os Tocadores e os brincantes. Se vestem com saiotes de penas coloridas e cocar, portando o arco e flechas destinadas à sua defesa. Todos passam no corpo roxo-terra misturado com água, para lhes dar um tom avermelhado.

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Taieira
  • Taieira

A talheira é uma denominação antiga do folguedo e já fazia suas apresentações na Vila de Nossa Senhora da Purificação e Santo Amaro, na Bahia, em festejos importantes como nas comemorações pela celebração do casamento de Dona Maria I com Dom Pedro III, de Portugal e Algarves, realizado em junho de 1760.

Integram o folguedo, as Taieiras; o Ministro; a Rainha, chamada Perpétua; as Guias; as Lacraias; os Capacetes; e o Figural ou Patrão. O grupo é dividido em dois cordões um de dança e um de canto.

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São Gonçalo
  • São Gonçalo

O louvor a São Gonçalo é muito difundido em Portugal e, aqui no Brasil, principalmente na zona rural dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Piauí, Bahia, Ceará, Maranhão e Sergipe, o fervor ao Santo é mais forte. É uma dança ritual de origem muito remota, tanto, que existe registro do folguedo, na Bahia, em 1718. Os brincantes, são apenas homens. Embora dedicado à fé de um Santo português, o folguedo apresenta no louvor a forte presença africana, observada na música, na dança e em palavras do dialeto africano inseridas nas letras.

Instrumentos de corda e percussão acompanham os cantos: são dois violões, dois cavaquinhos, uma caixa e dois pulés. Existem grupos do folguedo nos municípios de Itaporanga D’Ajuda, Laranjeiras, Pinhão, Poço Verde, Riachão do Dantas, São Cristóvão e Simão Dias.

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Bacamarteiro
  • Bacamarteiro

Originalmente, bacamarteiro ou barcamatista é a denominação do militar integrante da infantaria do Exército Imperial Brasileiro, destacado na Guerra do Paraguai, referindo-se ao soldado que manuseava o bacamarte, uma arma de fogo de cano curto e largo, carregada com pólvora seca e com um poder de fogo mortal.

Embora não possua personagens específicos, o grupo é formado pelos Atiradores; o Mestre do Apito; as mulheres cantantes e dançantes do Samba de Coco; o Tirador de Versos ou Coqueiro; e os Tocadores. O espaço de sua apresentação é sempre um lugar aberto, para assegurar a integridade dos que assistem.

Estão presentes nos municípios de Capela, Carmópolis e General Maynard.

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Cacumbi
  • Cacumbi

Provavelmente, o Cacumbi resulta da evolução e junção de elementos de outras danças e folguedos. Encontrado em vários municípios brasileiros, recebe diferentes identificações a depender da região, como variantes de congos e congadas: Ticumbi, Quicumbi ou Cucumbi. Em sua origem, remete a uma luta entre um rei negro e um chefe caboclo, sempre vencida pelo rei. O grupo é constituído apenas por homens, que se apresentam para louvar São Benedito e Nossa Senhora do Rosário.

A diferença dos timbres enriquece os cantos, mas o apito só é usado pelo Mestre e pelo Contramestre, para sinalizar o início ou o término dos cantos ou marcações rítmicas, o que dá autoridade de chefia. Costumam se apresentar nas procissões de Bom Jesus dos Navegantes e no dia dos Santos Reis.
Existem grupos nos municípios de Itaporanga D’Ajuda, Japaratuba, Lagarto, Laranjeiras, Maruim e Riachuelo.

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Chegança
  • Chegança

A luta entre cristãos e mouros revela os fundamentos do folguedo, originada nas antigas tradições ibéricas e inspirada em romances que narravam aventuras marítimas de embarcações como a nau Catarineta. No Brasil, a depender da região, recebe nomes variados como Barca, Marujada, Fandango, Chegança de Marujos, Chegança de Mouros, Mourama ou simplesmente Chegança. Em Sergipe, os brincantes marujos já se apresentavam na velha capital São Cristóvão com grande pompa à frente da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, com dois navios de madeira sobre rodas, revestidos de tecidos.

No grupo dos cristãos personagens como o Piloto, o General, o Almirante, o Vice-almirante, o Mestre, o Contramestre, o Capitão-tenente, os Gajeiros, os Calafatinhos, o Padre e os Marinheiros, compunham a trama. Já os mouros eram representados pelo Rei, os Embaixadores, as princesas Floripes, Angélica e Dama de Ouro. Muitos grupos estão presentes na história dos municípios de Aracaju, Divina Pastora, Itabaiana, Lagarto, Laranjeiras, e São Cristóvão.

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Parafuso
  • Parafuso

A história do Parafuso remete ao período colonial, no cenário dos engenhos, onde escravos sonhavam com a liberdade nos quilombos, para escapar do sofrimento. Os escravos em fuga, usavam as anáguas das sinhás, roubadas dos quaradouros, para camuflar o corpo, colocavam várias anáguas, umas sobre as outras, desde o pescoço. No rosto, usavam um pintura com tabatinga, compondo o disfarce final com um chapéu em formato de cone, igualmente branco. Assim, nas noites de lua se arriscavam pelos canaviais despertando o imaginário popular que consideravam ver visagens ou almas do outro mundo.

O que foi um movimento de resistência à escravatura se tornou um folguedo de grande beleza, característico do município de Lagarto.

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Reisado
  • Reisado

O costume de louvar o nascimento de Jesus com cantos, danças e visitas às casas dos moradores, tem origem em Portugal, de onde foi transmitido para o Brasil pelas trilhas da colonização. Lá se chamava janeiras e reiseiras ou reisadas e as visitas começavam no Natal e só terminavam nas festas dos Santos Reis, no mês de janeiro. De reiseiras passou entre nós a ser chamado de Reisado, o folguedo mais representativo do ciclo natalino, tendo o Nordeste como seu território de referência.

Os elementos fantásticos são o Boi e o Jaraguá, construídos com uma carcaça da cabeça de Boi e outra de Cavalo, cobertos de chitão, tendo no seu interior um brincante que lhe dá vida e movimento. São encontrados grupos do folguedo em muitos municípios sergipanos, com destaque para: Reisados do município de Laranjeiras; Estância; Pirambu; Japaratuba; Japoatã; Itaporanga D’Ajuda; Barra dos Coqueiros; Moita Bonita; São Miguel do Aleixo; Frei Paulo; São Cristóvão; Santa Rosa de Lima; Santo Amaro das Brotas; Cristinápolis; e Rosário do Catete.

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Barco de Fogo
  • Barco de Fogo

A tradicional manifestação do município de Estância foi uma criação do fogueteiro Antônio Francisco da Silva Cardoso, conhecido por Chico Surdo, cujas primeiras citações datam do final da década de trinta do século XX. A ideia era fazer um barco que não precisasse das águas do Piauitinga para navegar. É uma das mais empolgantes atrações dos festejos juninos do município de Estância.

O Barco de Fogo se movimenta deslizando sobre cabos de aço a partir da explosão das espadas feitas com pedaços de tabocas, enroladas com cordão de algodão e preenchidas com pólvora, pisada por no mínimo uma hora. Para que a pólvora não empedre é adicionada cachaça. O Barco carrega quatro espadas, duas para ir e duas para voltar. O fogueteiro leva até uma semana para construir o Barco. Em 2003, o Barco de Fogo foi reconhecido Patrimônio Imaterial de Sergipe.

*com informações do site do Museu da Gente Sergipana


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Renda de Bilro

  • Renda de Bilro

Os relatos históricos da renda de bilro apontam a sua chegada através do Rio São Francisco, na cidade de Porto da Folha, essa tradição foi levada até o Povoado Poço de Cima, onde as mulheres ribeirinhas aprenderam a fazer a Renda, para auxiliar os maridos no sustento e criação de suas famílias, e passaram de geração em geração.

Atualmente a renda de Bilro é formado por um grupo de oito mulheres do município de Poço Redondo, conhecidas como "Filhas da Renda". As rendeiras executam os trabalhos por encomenda, mas sempre têm peças disponíveis. Para adquirir os produtos basta acessar o Instagram: https://www.instagram.com/rendadebilro/?r=nametag ou manter contato através do telefone: (79) 9 9909-2112.

Por conta da pandemia, o Centro de Artesanatos da Cidade, localizado na rodoviária, fechou, e agora elas realizam os trabalhos em suas residências.

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Renda Irlandesa
  • Renda Irlandesa

A história da renda irlandesa tem início a partir do século 20, na cidade de Divina Pastora, conhecida atualmente como “Terra da Renda Irlandesa” . A cidade detém o saber tradicional das rendas feitas à mão, sendo o principal polo da renda irlandesa em razão de condições históricas de produção vinculadas à tradição dos engenhos canavieiros, nas mudanças econômicas que culminaram na apropriação popular do ofício de rendeiras.

A Associação para o Desenvolvimento da Renda Irlandesa de Divina Pastora (ASDEREN) conta com 70 associadas e colaboradores que passam a arte de geração em geração, fortalecendo assim a identidade e a cultura local. A ASDEREN é a detentora do título de Patrimônio Cultural do Brasil, título reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2008. Além disso, a Associação possuí o título de selo de indicação geográfica, dado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), em 2013.

Para entrar em contato com a Associação, basta acessar o Instagram: https://www.instagram.com/rendairlandesa/?r=nametag ou manter contato pelo telefone: (79) 9 8833-0620 ou ainda através do e-mail: [email protected]. A ASDEREN está localizada na Praça Getúlio Vargas, nº 125, Centro, Divina Pastora- Sergipe.

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Queijadas
  • Queijadas

Segundo Dona Marieta Santos, a queijada é um doce típico de Portugal, lá a receita era feita com queijo, manteiga, ovos e trigo. No Brasil, as escravas que trabalhavam na casa grande aprenderam a fazer a queijada portuguesa para os senhores. Na senzala, os escravos tinham vontade de comer as iguarias da casa grande mas, não possuíam os ingredientes para fazer as mesmas receitas, com isso surgiram as adaptações, no lugar do queijo ralado (produto nobre da época) era adicionado o coco ralado, e no lugar do trigo, foi usada a farinha de mandioca, daí surge a queijada sem queijo, porém com um toque africano, o coco ralado.

A Casa da Queijada mais famosa da cidade de São Cristóvão, pertence à família da Dona Marieta Santos, que é de tradição escrava, e a receita já está na quinta geração. Para experimentar essa iguaria, basta ir até a Casa da Queijada, nº 36, Praça da Matriz, Centro Histórico de São Cristóvão- Sergipe. A Casa funciona todos os dias, inclusive em feriados, das 7h às 19h. Durante períodos festivos na Cidade, o horário é estendido até às 23h. Para conhecer os produtos, basta acessar o Instagram: https://www.instagram.com/casadaqueijada/?igshid=2xhhzn1jtglm ou manter contato pelos telefones: (79) 3261-1376 ou (79) 9 8847-5097.

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Bricelet
  • Bricelets

De acordo com Dona Vera, os bricelets são um tipo de biscoito suíço que surgiram há muitos anos. Em Sergipe, a receita teve início com as Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição de Deus, a venda dos biscoitos se tornou parte do sustento para cuidar das órfãs da Cidade. Anos se passaram e as Irmãs entraram em crise, não havendo mais condições de permanecer, elas pararam a produção e doaram os maquinários aos ex- funcionários.

Os bricelets é um biscoito muito fino e com um custo muito baixo, R$ 4. Em sua massa vai farinha de trigo, leite, ovos, laranja, limão, açúcar, margarina, e segundo a Dona Vera, muito amor e carinho, os dois principais ingredientes.

A Casa dos Briceletes mais famosa da cidade de São Cristóvão, pertence à família da Dona Vera e o esposo Manuel. Para experimentar os biscoitos, basta ir até a Rua Erundino Prado, nº 32, Praça São Francisco, São Cristóvão- Sergipe. A Casa funciona todos os dias, inclusive nos feriados, exceto na Sexta- feira da Paixão, das 8h às 17h . Para conhecer os produtos, basta acessar o Instagram: https://www.instagram.com/casadosbricelets/ ou manter contato pelo telefone: (79) 9 8858-7302.

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Produtos feitos à base de mangaba
  • Mangaba

Segundo a presidente da Associação das Catadoras e Catadores de Mangaba da Barra dos Coqueiros, Patrícia Santos de Jesus, a colheita da mangaba na cidade de Barra dos Coqueiros, teve início no final da década de 40, e passa de geração em geração. Com o tempo, o processo de beneficiamento das frutas da restinga, especificamente da mangaba, começou a ser feito. A partir dela são produzidos a geleia, o doce, a compota, as trufas, os licores, as balas, e uma diversidade de produtos que contribuem para o fortalecimento da renda.

Porém, a alta especulação imobiliária é um dos grandes fatores de risco na diminuição das áreas nativas e na derrubada das mangabeiras, por isso foi criado o movimento das catadoras de mangaba do município de Barra dos Coqueiros, para conservação e perpetuação dos saberes e práticas.

A cultura da mangaba pode ser encontrada: em Aracaju, Itaporanga, Estância e Indiaroba.

Para conhecer mais sobre a Associação e os produtos feitos à base da mangaba, basta acessar o site da loja virtual: https://www.catadorasdemangaba-ecommerce.com/ ,e caso deseje conhecer pessoalmente a Associação, localizada na Rua Nova, s/nº, Povoado Capuã, Barra dos Coqueiros, basta agendar pelo telefone: (79) 9 9948-4665 , e seguir algumas orientações: https://www.instagram.com/p/CF1wKyQBsA3/?igshid=2c23aexninu .

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Castanha Carrilho
  • Castanha

A castanha é uma oleaginosa oriunda do caju, e após alguns processos, fica crocante e deliciosa, e com sabores variados, como doce, salgada, apimentada, além do xerém e farinha de castanha.

A Cooperativa de Castanhas do Carrilho existe há apenas seis anos, mas o beneficiamento das castanhas acontece há 50 anos, e atualmente possuii 28 pessoas trabalhando, além de parcerias com empresas, uma forma de valorizar ainda mais o trabalho de famílias simples, conseguindo alcançar um mercado formal.

A Cooperativa do Carrilho atua na venda de castanha e amendoim, localizada na Rua Airton José dos Santos, s/nº, Povoado Carrilho - Itabaiana/SE. Para mais informações basta acessar o site: https://www.castanhasdocarrilho.com.br/ ou entrar em contato pelo telefone: (79) 9 9847-9247 ou 9 9681-2858.

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Amendoim
  • Amendoim

O amendoim é uma oleaginosa, que após ser cozido torna-se uma comida muito apreciada. O título de Patrimônio Imaterial de Sergipe concebido através da Lei Estadual 7.682/2013, reforça que o amendoim verde cozido é tipicamente sergipano.

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Passarela do Caranguejo
  • Caranguejo

Preferido entre sergipanos e turistas, o crustáceo tem estátua e dá nome à Passarela que é um dos pontos turísticos da cidade, onde são encontrados diversos bares e restaurantes que tem em seu cardápio o caranguejo como a estrela das refeições.

Caso prefira comprar in natura, basta se dirigir aos Mercados Centrais ou setoriais de Aracaju ou ainda às feiras livres.

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Orla de Aracaju

Ser sergipano é algo tão singular que temos um dia exclusivo para celebrar essa data tão importante e especial para a cultura, história e culinária.

Viva a Sergipanidade!