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Rede de computadores do governo federal registra 87 ataques virtuais por hora

30/09/2015 19h01
Rede de computadores do governo federal registra 87 ataques virtuais por hora
A8SE

As 320 redes de computador do governo federal são alvos diários de milhares "crackers", ou seja, pessoas dispostas a invadir sistemas para recolher informações sigilosas, fazer chantagem virtual e disseminar vírus. Todos os dias é registrada uma média de 87 ataques virtuais por hora nas máquinas de ministérios, secretarias e estatais.
Entre 2007 e 2008, o número de notificações diárias saltou de 1.260 para 2.100, um aumento de 40%, segundo o Centro de Incidência de Redes, órgão subordinado ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República e responsável por proteger os computadores de todos os órgãos do Poder Executivo.

O GSI criou, esta semana, um comitê para cuidar da segurança da informação do órgão. Decidiu dar o primeiro passo para motivar outras áreas do governo a se protegerem dos ataques.

As milhares de notificações diárias referem-se a invasões e, principalmente, a "spams" (mensagens comerciais não solicitadas) e "fishings" (mensagens com arquivos que "pescam" dados) que as próprias redes não conseguem evitar.

Segundo o diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações do governo, Raphael Mandarino, apenas uma rede do governo, em 2007, sofreu mais de 3 milhões de ataques distintos.

As invasões são tratadas sob sigilo pela Presidência da República, que conseguiu identificar mais de 30,6 mil tentativas e ataques no ano passado. A maioria deles são feitos por computadores registrados no Leste europeu e no sudoeste asiático. "O que me preocupa são as que não detectamos", afirma Mandarino.

Para se proteger, o governo contrata "white hats", uma espécie de "hackers" do bem. No entanto, eles não conseguiram evitar, em 2007, o sequestro das senhas de um servidor de um importante órgão federal. Mas foram capazes de desvendar o código usado pelo sequestrador e evitar o pagamento do resgate de US$ 250 mil solicitado pelos criminosos. O caso está sendo investigado pela Interpol.

Dados do próprio governo revelam que 48% dos órgãos federais não possuem procedimentos de controle de acesso. A análise de risco é feita apenas por 25% das instituições e a grande maioria não é capaz de normalizar a rede após os ataques.

O Tribunal de Contas da União já alertou para a fragilidade das redes do governo federal. Conforme portaria publicada no "Diário Oficial" da União, o GSI montou um comitê para reforçar a segurança e padronizar os sistemas usados pelo próprio gabinete bem como os utilizados pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e pela Secretaria Nacional Antidrogas.

"Estamos dando exemplo", diz Mandarino, informando que agora será mais fácil controlar o acesso a informações sigilosas bem como fazer rastreamento em caso de vazamento de dados da agência de inteligência.

Fonte: Folha OnLine

 

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