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Pesquisa revela novo comportamento de consumo da classe “C”

30/09/2015 20h16 - Atualizado 29/09/2020 às 09h58
Pesquisa revela novo comportamento de consumo da classe “C”
A8SE

Segundo Dieese, a classe C corresponde hoje à metade da população brasileira ou 100 milhões de pessoas. A amostra da enquete, isto é, na população urbana das regiões metropolitanas pesquisadas e no interior de São Paulo, do Sul e Sudeste, retrata o desejo de consumo de 32 milhões de pessoas de 12 a 64 anos.

A capacidade da nova classe média, a classe C, de assumir novas dívidas não se esgotou, apesar do grande avanço do consumo registrado nos últimos anos. Pesquisa do Ibope Mídia revela que 9,5 milhões pessoas que fazem parte desse estrato social pretendem comprar um automóvel novo ou usado nos próximos 12 meses. A classe C reúne um contingente com renda mensal familiar entre R$ 600 e R$ 2.099.

Além de carro, os planos de consumo da nova classe média incluem a compra da casa própria. Segundo a enquete, que ouviu 20 mil pessoas dessa camada social entre fevereiro de 2009 e janeiro deste ano nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e o interior de São Paulo, do Sul e do Sudeste do País, 19% dos entrevistados querem comprar imóvel nos próximos seis meses."O crédito imobiliário tende a crescer de forma absurda. Vai triplicar nos próximos três ou quatro anos", afirma Dora Câmara, diretora comercial do Ibope Mídia e responsável pela pesquisa.

Dora observa que a intenção da classe C de dar passos importantes no curto prazo, como comprar uma casa ou um carro, é sustentada pelo otimismo que esse estrato social mantém em relação ao futuro. De acordo com a pesquisa feita em 2009, metade dos entrevistados acreditava que a sua situação econômica estaria melhor neste ano. Na pesquisa de 2005 que projetava a situação para 2006, esse índice era de 40%.

A pesquisa mostra dois resultados curiosos que revelam um comportamento de consumo diferente do que se pressupõe para essa nova classe média. O primeiro é que a maioria dessa população (61%) não gosta de ter dívidas. Eles compram a prazo por uma questão de necessidade.

Outro dado relevante é que 65% planejam a compra para bens de grande valor. Dora observa, no entanto, que essa não é atitude do consumidor de classe C no caso de produtos de menor valor. "29% dos entrevistados se declararam consumidores impulsivos quando vão ao supermercado", diz ela.

Shoppings
Outro paradigma quebrado pela enquete é a preferência desse consumidor pelas lojas de rua. Mais da metade, 60% dos consumidores da classe C 1 e 53% da classe C2, fizeram compras em lojas de rua nos últimos 12 meses. Dora pondera que esse consumidor vai ao shopping para passear, mas realiza as compras em lojas de rua.

Com relação a aspectos qualitativos e gerais do perfil dessa nova classe média, Dora destaca que se trata de uma população mais jovem em relação às classes mais abastadas e composta em sua maioria por afrodescendentes, exceto nos Estados do Sul.A presença da mulher como responsável pela família e com mais poder de decisão sobre o consumo é marcante: 32% das mulheres são chefes de família na classe C, ante 25 % na A/B.

Quanto a atuação da classe na educação, apenas 23% da população da nova classe média urbana fala um segundo idioma, aponta pesquisa do Ibope Mídia. Esse resultado indica um grande potencial para esse segmento educacional.

A nova classe média brasileira é mais jovem que as classes A e B. A maioria é afrodescendente, sendo 41% em Salvador e 22% em Brasília. Esse resultado não é válido para os Estados do Sul e os homens vivem menos que as mulheres que possuem mais responsabilidade sobre a família, sendo 32% delas como chefes de famílias na classe C, ante 25% nas classes A e B.

Quanto aos planos de vida, 9,5 milhões planejam comprar um automóvel novo ou usado nos próximos 12 meses e 19% pretendem adquirir a casa própria nos próximos seis meses. 61% não gostam de contrair dívidas e compram a prazo por necessidade, 65% planejam as compras quando vão adquirir itens de grande valor e 60% da classe C1 e 53% da C2 compram em lojas de rua. O Dieese também apontou as perspectivas que segundo a pesquisa, as classes C, D e E vão crescer 8% ao ano até 2013, o dobro das classes A e B.

Com informações do Dieese

 

 

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