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No balanço final, petistas foram maiores derrotados

30/09/2015 19h02
No balanço final, petistas foram maiores derrotados
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A eleição do senador José Sarney (PMDB-AP) e do deputado Michel Temer (PMDB-SP) para comandar o Senado e a Câmara representou uma grande derrota para o PT, visto que o partido tentou, mas não conseguiu, manter sob o seu controle uma das duas Casas.

Os petistas tiveram de entregar a presidência da Câmara para o PMDB, por força de um acordo assinado em cartório em 2007, quando então conseguiram emplacar o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) no cargo com o apoio dos peemedebistas. No entanto, ao tentar equilibrar as forças, desta vez migrando para o Senado, o candidato Tião Viana (AC) perdeu a eleição para José Sarney, que só havia se definido pela disputa uma semana antes.

Nessa disputa, o governador de São Paulo, José Serra, e seu partido, o PSDB, diversificaram as suas apostas. Saíram derrotados no Senado, onde embarcaram na candidatura de Viana, mas obtiveram uma vitória na Câmara, com Temer, aliado em São Paulo da administração Serra.

Vitoriosos, Sarney e Temer representam a manutenção das estruturas já consolidadas das duas Casas, com uma burocracia excessiva, controle de setores do Legislativo por grupos montados há mais de uma década e promessas velhas, como as reformas partidária e tributária, que nunca saem nem do papel nem da boca dos políticos. Se bem que os outros candidatos - Viana, Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Ciro Nogueira (PP-PI) - não apresentaram, tampouco, plataformas inovadoras que pudessem abalar os velhos esteios montados tanto na Câmara quanto no Senado.

Quem teve uma vitória significativa foi o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Depois de se livrar há menos de dois anos de processo de cassação por quebra de decoro parlamentar - acusado de usar dinheiro de empreiteira para pagar a pensão da filha com a modelo Mônica Veloso -, o ex-presidente do Senado bancou a candidatura de Sarney e voltou à liderança do PMDB. Foi um processo de reabilitação muito rápido, em um caso tão rumoroso.

Fonte: Estadão

 

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