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Diretórios do PSDB tendem a apoiar prévias

30/09/2015 19h02
Diretórios do PSDB tendem a apoiar prévias
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No momento em que a cúpula do PSDB se articula para evitar estragos de uma prévia na escolha do candidato que disputará a Presidência em 2010, as principais lideranças tucanas nos Estados defendem a realização de primárias, caso não haja consenso em torno do nome que concorrerá ao Planalto.

Levantamento feito pelo Estado com 24 dos 27 diretórios estaduais do PSDB mostra que 18 presidentes e secretários-gerais do partido nos Estados querem participar do processo de escolha. Como ainda não realizaram um debate formal, a consulta foi feita por meio da opinião dos líderes. A ideia de prévias é defendida principalmente por aliados do governador mineiro Aécio Neves, pré-candidato do partido ao lado do colega paulista, José Serra.

Não é da tradição do PSDB realizar prévias - e muitos tucanos duvidam que elas chegarão a ser realizadas (leia texto ao lado). Sempre que a eleição se aproxima cogita-se convocá-las, mas as principais decisões acabam sendo tomadas pela cúpula, como no episódio de 2006, quando Serra, Aécio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati (CE) foram flagrados em um restaurante discutindo os rumos da eleição daquele ano.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), nega que o partido tomará uma decisão de cúpula. "Já está decidido. Em 2010, se não houver consenso, as prévias estarão prontas para ser testadas", disse.

Aliado de Aécio, o deputado Rodrigo de Castro, secretário-geral do partido, defende a consulta. "Não havendo consenso, é o melhor caminho."

Para as lideranças estaduais, essa é a saída no caso de Aécio insistir na disputa. "Se não houver consenso, as prévias são razoáveis", opina Antonio Imbassahy, presidente do PSDB baiano. "Espero que haja juízo nessas duas mentes brilhantes (Serra e Aécio). Senão, as prévias são um instituto moderno", disse o prefeito de Cuiabá, Wilson Santos, presidente do PSDB de Mato Grosso.

Os tucanos temem o trauma que prévias podem causar numa eleição em que consideram grandes as possibilidades de vitória. Muitos alegam que o partido, que estima ter 1.048.000 filiados, não possui nem estrutura para fazer a consulta.

Quatro líderes partidários estaduais disseram ser contra as primárias. Outros dois declararam-se indecisos e três não se manifestaram - entre eles o diretório paulista, que, nos bastidores, é contra. "Pessoalmente, sou contra. As prévias podem ser um sinal de desagregação", afirmou o senador Flexa Ribeiro, presidente do PSDB no Pará. "Não tem que haver. É desnecessário. Nós até dissemos isso pessoalmente ao Serra, há dois meses. ", defendeu Antonio Feijão, secretário-geral do PSDB no Amapá.

Fonte: Estadão

 

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