Brasília

Anderson Torres é preso pela Polícia Federal após desembarcar em Brasília

Ex-secretário teve prisão determinada por Alexandre de Moraes por suposta omissão em relação ao ataque às sedes dos poderes.

Por Redação do Portal A8SE e R7 14/01/2023 10h38
Anderson Torres é preso pela Polícia Federal após desembarcar em Brasília

Na manhã deste sábado (14), o ex-ministro da Justiça Anderson Torres foi preso preventivamente pela Polícia Federal após retornar dos Estados Unidos e desembarcar no Aeroporto de Brasília. A prisão foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em virtude dos atos de vandalismo por manifestantes insatisfeitos com o resultado das últimas eleições presidenciais.

Anderson Torres chegou em voo comercial de Miami pela porta traseira do avião, por volta de 7h20, de uma forma discreta. Ele passou por exame de corpo de delito.

Para despistar a imprensa, foram divulgados diferentes comunicados acerca do local onde ele seria interrogado pela PF e seria mantido preso. Informações preliminares remetiam ao Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto outras fontes apontavam o batalhão da Polícia Militar do Guará.

Depois de ser ouvido na Papuda, Torres deve passar pela audiência de custódia no início da tarde, podendo ir para a Superintendência da PF ou ser encaminhado ao batalhão da PM dentro da Papuda.

Prisão de Torres

Torres foi nomeado secretário de Segurança Pública do Distrito Federal pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) ao deixar o governo federal. Ele foi ministro da Justiça do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A prisão foi motivada por suposta omissão em relação aos atos de vandalismo com depredação das sedes dos três poderes da República. Na terça-feira (10), a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa de Torres e apreendeu uma minuta (espécie de rascunho) de decreto que tentaria mudar o resulto das eleições presidenciais de 2022.

Os atos de vandalismo na capital federal levaram ao afastamento do governador, à prisão do então comandante da PM, coronel Fábio Augusto, e à intervenção federal na segurança pública do DF.

Na quarta-feira (11), o plenário do STF manteve a prisão de Anderson Torres por omissão nos atos de vandalismo praticados por extremistas em Brasília. Votaram pela manutenção da decisão de Moraes os ministros Gilmar Mendes, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso.

Logo após a notícia do pedido de prisão, o ex-secretário afirmou nas redes sociais que havia tomado a decisão de interromper as férias e voltar ao Brasil para se entregar à Justiça.

Perfil

Torres é advogado e delegado da Polícia Federal (PF), tem especialização em ciência policial, investigação criminal e inteligência estratégica pela Escola Superior de Guerra (ESG). Na PF, coordenou investigações voltadas ao combate ao crime organizado, na superintendência em Roraima.

No último dia 2, o ex-secretário reassumiu o comando da pasta e viajou de férias para os EUA poucos dias depois. Foi nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o Ministério da Justiça em março de 2021. Em 31 de dezembro, último dia como ministro, Torres agradeceu ao ex-presidente pela "confiança" em nomeá-lo para gerenciar o ministério.

Sabotagem

Na terça (10), o interventor federal na segurança no Governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, sugeriueventual sabotagem por parte de Torres diante da invasão de extremistas às sedes dos Três Poderes.

Cappelli avalia que houve uma operação de segurança exemplar durante a posse de Lula em 1º de janeiro. Uma semana depois, no entanto, ocorreram os atos de vandalismo que deixaram um rastro de destruição na capital federal.

Nesta sexta-feira (13), o governador afastado do DF Ibaneis Rocha (MDB), prestou depoimento, de forma espontânea, na Polícia Federal. "Respondi a todos os questionamentos e espero ter deixado claro que não tive qualquer envolvimento, seja por ação ou por omissão, com os fatos ocorridos no domingo", declarou Ibaneis ao R7.

O governador também confirmou à reportagem que determinou a retirada dos manifestantes dos acampamentos em 29 de dezembro, mas foi impedido pelo Exército.