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Alckmin assume como secretário de Serra e recua sobre prévias para 2010

30/09/2015 19h02
Alckmin assume como secretário de Serra e recua sobre prévias para 2010
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No meio do fogo cruzado entre o PSDB paulista e o mineiro, o novo secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, assumiu ontem a cadeira no secretariado do governador José Serra (PSDB) sinalizando um recuo na defesa de prévias para a escolha do candidato tucano à eleição presidencial em 2010. Um dos nomes do PSDB para a disputa do governo em São Paulo, Alckmin, em seu discurso de posse, criticou ainda, sem citar nomes, a condução da crise pelo governo Lula (leia entrevista nesta página).

"Se tivermos os nossos possíveis candidatos unidos, não há necessidade (de prévias). Caso contrário, esse é um tema que cabe à direção partidária", afirmou o tucano. O tom representa um recuo na posição de Alckmin, que foi um defensor do instrumento nas eleições de 2006 e 2008. "Acho que o PSDB já estabeleceu que para 2010 vai ter as primárias e acho que nós deveríamos fazer já", chegou a dizer, no ano passado.

O evento de ontem foi regado de simbolismo. Alckmin foi prestigiado com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, ao lado de Serra, é contra a realização de primárias, hoje a principal discussão no ninho tucano.

O PSDB nacional fez uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral em janeiro para esclarecer as regras em caso de disputa interna. Na semana passada, Aécio voltou a insistir na necessidade de prévias no partido em conversa com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). A atitude foi uma reação à reaproximação de Alckmin e Serra. Até a nomeação, Alckmin era considerado a liderança paulista mais próxima do mineiro.

Ao lado de Serra e Fernando Henrique, Alckmin foi lacônico ao comentar a disputa entre os dois governadores e disse acreditar em um "entendimento" entre os tucanos. "2010 está longe. Acredito em um entendimento."

O ex-governador negou que seu embarque na gestão Serra seja um apoio consumado ao governador numa eventual disputa interna. "É natural que haja perguntas como essa, mas o fato é que a eleição é em 2010. A melhor maneira de construir um cenário melhor para 2010 é um bom governo. É isso que o governador Serra vem fazendo e para isso que estamos aqui."

Nos bastidores, Aécio tem criticado a decisão de Alckmin de aceitar o convite para participar do governo. Indagado sobre a reação do mineiro, Alckmin desconversou e fez elogios ao colega. "O governador Aécio é um grande governador. Foi meu colega, é um dos melhores quadros do PSDB, tenho por ele uma grande estima e admiração e entendo que o PSDB de São Paulo, estando ainda mais fortalecido e unido, é bom para o Brasil", destacou.

Vários secretários que foram prestigiar o tucano desistiram e deixaram o local depois de tentar atravessar o mar de prefeitos, assessores e parlamentares que lotavam a sala, extremamente quente, onde foi realizada a cerimônia. Aloysio Nunes Ferreira (Casa Civil), apontado como um dos pré-candidatos ao governo do Estado, Mauro Ricardo (Fazenda) e Guilherme Afif Domingos (Trabalho) abandonaram o evento antes do início.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento, 800 pessoas compareceram à cerimônia, que acabou ocupando três andares do prédio administrativo da pasta, na região central de São Paulo. Um locutor gritava para os convidados: "Esperem lá embaixo. Depois da cerimônia, Alckmin desce para falar com todos".

Diante da confusão, o deputado Julio Semeghini comentou: "Vim de Fernandópolis achando que eles iriam sentir minha falta. Mas, pelo jeito, não vão sentir falta de ninguém".

``IMOBILISMO``

Cumprindo à risca a função de fiscalizar os passos do governo federal em tempos de crise, Alckmin apontou "imobilismo" na condução de medidas para reduzir os efeitos do caos financeiro e criticou a alta taxa de juros. Na sequência, ressaltou as ações anticrise do governo estadual. "Quero destacar o esforço que o governo de São Paulo vem fazendo neste momento difícil por que passa a economia brasileira. O governo deve investir este ano perto de R$ 21 bilhões."

Na presença do prefeito Gilberto Kassab (DEM), Serra disse que, em tempos de desemprego, será preciso que as pastas de Alckmin e do secretário de Trabalho, Guilherme Afif Domingos, atuem em parceria com a gestão municipal. Kassab e Alckmin foram adversários na eleição de 2008.

Repetindo o discurso feito no dia de sua nomeação, Alckmin voltou a pregar união no PSDB. "Venho para unir e somar. Será uma honra trabalhar no governo Serra para colaborar com o desenvolvimento de São Paulo", afirmou. Serra também elogiou o "espírito público e humildade" do antecessor por ter aceitado o cargo mesmo depois de ter sido a maior autoridade do Estado.

Fonte: Estadão

 

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