Inadimplência recorde atinge empresas e exige atenção na renegociação de dívidas
Brasil chegou a 9,3 milhões de empresas com contas atrasadas em agosto, segundo a Serasa Experian.
Portal A8SE e Assessoria
O número de empresas com dívidas em atraso no Brasil chegou a 9,3 milhões em agosto de 2026, o maior já registrado pela Serasa Experian. O levantamento aponta crescimento de 14,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Ao todo, os débitos somam R$ 244,4 bilhões, distribuídos em 68,2 milhões de contas negativadas.
As micro e pequenas empresas concentram a maior parte dos registros, com 8,8 milhões de CNPJs inadimplentes. Para negócios de menor porte, o acúmulo de dívidas pode comprometer o pagamento de fornecedores, funcionários e outras despesas, dificultando a continuidade das atividades.
Nesse cenário, empréstimos, financiamentos e linhas de capital de giro exigem planejamento. Embora possam ajudar a manter as operações, essas modalidades de crédito também podem ampliar o endividamento quando contratadas sem considerar a capacidade de pagamento da empresa.
O advogado Leonardo Barros, especialista em Direito Bancário, recomenda que os empresários avaliem o custo total dos empréstimos, incluindo juros, tarifas e seguros, antes de assumir novas parcelas. “É preciso verificar se o valor cabe no fluxo de caixa e considerar possíveis quedas no faturamento”, orientou.
Renegociação exige atenção
Quando a empresa enfrenta dificuldades para pagar as contas, renegociar com o banco pode ser uma alternativa. Antes de aceitar uma proposta, porém, é importante conferir o saldo devedor, as taxas de juros, os encargos, o prazo e o valor final da dívida.
Também é necessário verificar se há cobranças indevidas no contrato, como tarifas, seguros ou juros abusivos. A análise pode ser feita inclusive em contratos já quitados, desde que existam indícios de irregularidades.
“Uma renegociação não pode acabar aumentando ainda mais o passivo da empresa com a inclusão de novos encargos”, alertou o advogado.
Outra medida que exige cautela é contratar um novo empréstimo para quitar dívidas anteriores. A troca só tende a ser vantajosa quando oferece condições efetivamente melhores, como juros menores e um custo total reduzido. Caso contrário, pode apenas prolongar o endividamento.
A análise dos contratos por um profissional especializado também pode ajudar a identificar possíveis irregularidades e avaliar alternativas, como a portabilidade ou a substituição da linha de crédito.
Diante do avanço da inadimplência, acompanhar o fluxo de caixa, conhecer as condições dos contratos e procurar alternativas antes que as dívidas se acumulem são medidas importantes para evitar que os compromissos financeiros comprometam o funcionamento da empresa.
