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Brasil

Plenário da Câmara aprova texto-base da MP que restringe seguro-desemprego

Após mais cinco horas de discussão, com direito a bate-boca e sessão suspensa, o plenário da Câmara aprovou na noite dessa quarta-feira (6) a votação do texto-base da Medida Provisória nº 665, que restringe a concessão do seguro-desemprego e altera regras do abono salarial.


Desde a terça-feira (5), o governo Dilma Rousseff escalou ministros e pediu apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao presidente do PT, Rui Falcão, para assegurar o apoio dos deputados petistas e peemedebistas, representantes dos dois maiores partidos da base.


Ambos resistiam a apoiar publicamente a proposta tida como impopular. O texto passou por 252 votos a favor, 227 contra e uma abstenção.


Parlamentares da oposição protestaram contra a medida logo após o resultado em plenário.


— PT pagou com traição, a quem sempre te deu a mão — entoaram, cantando.


Mesmo antes da votação, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), agradeceu o apoio dos partidos da base, em especial o PT e o PMDB, à medida provisória.


— Nós estamos votando uma matéria que diz respeito ao futuro do nosso País, nós queremos que esse gesto o Congresso Nacional sinalize para o país que nós não estamos tirando nenhum direito do trabalhador brasileiro — disse Guimarães.


Durante a discussão os líderes petistas e do bloco liderado pelos peemedebistas foram os principais defensores da base aliada da aprovação da MP.


Por outro lado, os oposicionistas PSDB, DEM, PSB, PPS e PSOL posicionaram-se contrariamente.


— Esse não é um projeto de lei de conversão, é um projeto de lei da traição ao trabalhador — criticou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE)


O líder da Minoria, Bruno Araújo (PSDB-PE), também cutocou o partido do governo.


— O PT deixou de ser o Partido dos Trabalhadores.


A principal surpresa na votação ocorreu com o PDT, partido da base aliada cujo líder André Figueiredo (CE) orientou a bancada a votar contra. Os pedetistas chegaram a receber, antes da votação, a visita do ministro do Trabalho, Manoel Dias, indicado pelo partido para o governo.


— O PDT não se rende por cargos e, se quiserem os cargos, vai entregar — provocou Figueiredo.


Acordo

A votação foi realizada após um acordo firmado entre governistas e oposicionistas para garantir a votação nesta quarta-feira do texto-base da MP e a apreciação de dois destaques para analisar separadamente pontos.


O acerto, entretanto, só foi possível depois que a oposição havia esgotado todas as manobras regimentais para adiar ao máximo possível, a votação do mérito da proposta.


Pelo acerto, todas as votações vão ocorrer de maneira nominal, isto é, quando cada um dos deputados é obrigado a registrar como votou.


— Queremos a digital da turma — anunciou um dos vice-líderes do PSDB, Nilson Leitão (MT), logo após o acordo firmado.


Nesta quinta-feira (7), a Câmara deve concluir a votação da medida provisória, com a análise de cinco outros destaques e de duas emendas aglutinativas. Os destaques e emendas podem alterar o teor do parecer do senador Paulo Rocha (PT-PA) aprovado pela comissão mista da MP.


Entre as principais mudanças, o governo havia proposto originalmente ao Congresso um tempo mínimo de um ano e meio de trabalho para que o desempregado faça o primeiro pedido de benefício.


O plenário da Câmara manteve a redução do prazo para um ano. Antes da nova regra, que já vale desde março, a carência era de seis meses.


No caso do abono salarial, os parlamentares aprovaram a decisão de Paulo Rocha de também reduzir a exigência do tempo trabalhado para ter acesso ao benefício. Antes da MP, era preciso trabalhar 30 dias para receber o abono. Com a medida, o governo aumentou esse prazo para seis meses.


O relatório aprovado cortou esse tempo pela metade, passando a exigir 3 meses de trabalho.


Tensão

O debate até a votação foi recheado de momentos tensos. O primeiro deles ocorreu após o líder do PSDB na Casa, Carlos Sampaio (SP), ter cobrado uma justificativa dos parlamentares petistas em apoiar a medida provisória que, entre outras mudanças, eleva o prazo de carência para que uma pessoa possa solicitar o seguro desemprego. Ele fez um duro discurso contra o PT.


— Isso é bom para você, trabalhador? Quero ver essa cara de pau desses petistas, mentirosos e corruptos

defenderem isso aqui — acusou Sampaio — Quer fazer o ajuste fiscal, vamos ajustar tirando o PT do governo.


Após a intervenção de Sampaio, manifestantes que se encontravam na galeria vestidos com camisas da Força Sindical atiraram no plenário notas falsas de dólar com a cara de integrantes do partido com os dizeres "PTro Dollar". O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu retirar todos os manifestantes da galeria.
Logo após a saída dos militantes das centrais sindicais, em outro momento de discussão acalorada, um dos vice-líderes do governo na Câmara, Orlando Silva (PCdoB-SP), reclamou do fato que os militantes terem atirado na plateia notas falsas.


O deputado Roberto Freire (PPS-SP) rebateu e cobrou dele a mesma indignação em relação ao episódio do protesto durante a votação do projeto da terceirização que teve cenas de violência, inclusive com parlamentares feridos.


Bate-boca

A líder do PCdoB, Jandira Fhegali (RJ), saiu em defesa de Orlando Silva e o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) fez o mesmo em favor de Roberto Freire, criticando a forma agressiva como ela teria se dirigido a ele.


— Mulher que participa da política e bate como homem tem que apanhar como homem — disse Fraga.

O bate-boca causou um tumulto na sessão e a bancada feminina da Câmara prometeu usar as notas taquigráficas para apresentar um pedido de quebra de decoro parlamentar contra Fraga no Conselho de Ética.


Cobrada pelas deputadas para agir, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que não tinha nada a fazer porque os parlamentares têm imunidade constitucional em relação a suas declarações.


— Eu não tenho a condição de censurar quem quer que seja — disse Cunha, ao fazer um apelo aos deputados para que o debate político não descambe para a agressão.


Fraga, posteriormente, pediu desculpas a Jandira Feghali.