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Brasil

Marcio Macêdo fala sobre os desafios em assumir o cargo de novo tesoureiro do PT

Na última sexta-feira (17), o sergipano e ex-deputado federal, Márcio Macêdo, foi escolhido pelo Diretório Nacional para ser o novo tesoureiro do PT. Ele assume a vaga deixada por João Vaccari Neto, afastado do cargo após ter sido decretada a prisão preventiva, acusado de envolvimento no esquema de propina da Petrobras.

Em entrevista, o novo secretário de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores (PT), falou sobre a escolha do PT em nomeá-lo, como pretende conduzir o cargo diante dos desafios e a polêmica da suposta doação de R$ 95 mil reais feita pelo partido.


Márcio Macêdo afirmou que aceitou assumir o cargo diante do apelo feito pelo presidente da agremiação, Rui Falcão, e pelo líder da bancada da legenda na Câmara Federal, José Guimarães (CE). Ele explicou ainda que pesou na sua decisão favoravelmente o fato de seu nome ter sido consenso dentro da corrente “Construindo um Novo Brasil” e aprovado por unanimidade entre todos os membros da Direção Nacional do PT.


“Sou do PT, com os erros e acertos do partido. Tenho, como todos, críticas e também autocrítica e defendo que façamos mudanças na vida partidária, mas me senti no dever de cumprir essa missão. Não é uma tarefa simples. É um trabalho complexo. Mas manterei o meu estilo. Não pedi para estar lá. Fui convidado, aceitei, irei me inteirar de toda a situação. Vou trabalhar dentro da legalidade, respeitando a legislação, com o mesmo cuidado e decência com quem trabalhei em todos os cargos que exerci, desde a época em que presidi o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Sergipe, passando pelos espaços de governo na prefeitura de Aracaju, no governo de Sergipe no governo federal, até o mandato de deputado federal. Estou com minha consciência tranquila, em paz”, afirmou.


Ao tratar do processo de escolha do seu nome e sua decisão de aceitar o convite, Márcio Macêdo relatou que o Diretório Nacional do PT se reuniu, na semana passada, para escolher o novo secretário de Finanças e Planejamento do partido e que, feito o debate, embora tenha havido a sugestão de alguns nomes, não se chegou ao consenso necessário em torno de quem deveria assumir tal tarefa. “Meu nome foi sugerido, e por unanimidade de todas as correntes, aceito. Para mim, foi uma surpresa. Não me movimentei, não reivindiquei. O líder da bancada na Câmara, deputado José Guimarães me ligou, colocando a situação, frisando que neste momento de intensa crise, o meu nome surgiu como consenso e fazendo um apelo para que eu pudesse aceitar. No início, não aceitei. Estava com outra perspectiva, de outro projeto. O presidente Rui Falcão então me ligou, disse que eu era o nome de consenso na tesouraria, que eu possuía experiência política, respeitabilidade, requisitos éticos e a confiança dele. Repensei e vi que não podia me acovardar”, afirmou. 


Estilo


Neste cenário, o novo tesoureiro do PT se declarou “imensamente grato” ao Diretório Nacional e às correntes que compõem o partido pela escolha do seu nome e também se disse “bastante confortável” com a decisão da Direção de não mais permitir doações empresariais aos diretórios estaduais e municipais. “Se o PT está defendendo a reforma política e o financiamento público, tem que dar o exemplo. Os outros partidos deveriam seguir esta ideia para acelerar o debate sobre a reforma política”, justificou.


Márcio Macêdo informou que se reunirá com a Direção Nacional para “tomar pé” da atual situação do partido e reafirmou que “vai seguir a legislação rigorosamente e as decisões partidárias”. “Vou ser vigilante no cumprimento da regra. Vou tomar pé, estudar, me debruçar sobre a situação. Quero contribuir com o meu partido e ajudar o PT a sair da crise”, ressaltou.


Ele esclareceu que irá encaminhar a prestação de contas do partido do ano passado, ponderando que não tem responsabilidade sobre o período anterior à sua chegada. “Vou assinar encaminhando a prestação de contas de 2014. Mas não tenho responsabilidade sobre o passado. A minha assinatura é solidária, mas a responsabilidade dessas contas não é minha, mas sim de quem estava no cargo. Juridicamente, eu não tenho responsabilidade, porque não estava no cargo, mas as informações que recebi é de que o processo da prestação de contas está muito criterioso”, ponderou.


Doação


Em relação à suposta doação de R$ 95 mil feita pelo partido à sua candidatura no ano passado, Márcio Macêdo explicou que os recursos foram oficiais e estão declarados na prestação de contas, já aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe. “Minha campanha custou R$ 493 mil, uma das mais baratas do Brasil. Todos os recursos foram oficiais e legais. Está na minha prestação de contas e foi aprovada pelo TRE. Tenho muita tranquilidade quanto a esse episódio. O PT fez doação a diversos candidatos. Está dentro da legislação. Não conheço e não tenho qualquer relação com a direção da empresa que fez a doação. Recebi do partido e prestei contas, que o TRE aprovou”, afirmou.