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Brasil

Por que a arquitetura social não vira moda?

Já pensou se os modismos acabassem? Se descartes decorativos seus servissem a outras famílias?

As questões sociais na arquitetura de uma maneira ou de outra acabam ficando de lado, quando nos referimos ao desenvolvimento dessa arte nos dias atuais.


A todo momento nos deparamos com os modismos da decoração, arquitetura e design: Espelho pra lá, tecido pra cá, móveis pra ali e cores pra aculá. Mas para quê tanto modismo, se em alguns momentos deixamos de lado o funcionalismo para projetarmos em função da estética, do glamour, ou do “disse me disse”, de mentes capitalistas inquietas? E se todos os seus móveis, objetos servissem à comunidades de um bairro carente?


E se nós arquitetos, com a força de nossa arte de projetar, pelo significado maior da arquitetura, de associar-se diretamente ao problema da organização do homem no espaço, fizéssemos um mutirão de projetos sociais, voltados para aquele público carente de espaços, de cores, de espelhos, de cadeiras, de piscinas.... e por fim de atenção arquitetônica em seus lares? Sim, atenção arquitetônica, porque afinal, nós arquitetos somos psicólogos de nossos clientes: precisamos concretizar sonhos, desejos e até loucuras, quem sabe. Aí vem o alívio maior: nós, arquitetos, de uma forma ou de outra, os realizamos.

O objetivo aqui é tratar do arquiteto como agente de transformação em função social e profissional com suas particularidades, nossa principal função, que é atuação diante do ambiente construído, seja na sua melhoria ou do ambiente a se construir, e buscar soluções comuns e que possam trazer sempre a qualificação desse bem.


Imagine como seria grandioso, nobre e até mesmo glamouroso se projetássemos ou concretizássemos o sonho de um humilde lar, enraizado de dificuldades cotidianas, abdicações e complexos.

Vale lembrar que não estou fazendo aqui, uma campanha contra o belo, a estética, ao cliente mais abastado. Não, Jamais! Mas e se nós utilizássemos o nosso precioso conhecimento e amenizássemos as dores espaciais, sem glamour, mas conforto, apenas regássemos com nobreza arquitetônica e principalmente de espírito, os lares de mais de 16 milhões de pessoas em extrema pobreza, que existem no Brasil? E se enriquecêssemos ainda mais os lares humildes dos mais de 300 mil sergipanos carentes de sofás, amor, cores, alegrias, camas, lençóis, luminárias, espelhos e dignidade humana? Creio eu, que não custa nada tentar!

Será que vale a pena projetarmos apenas para as classes de maior poder aquisitivo, que vez ou outra descartam projetos ou decorações temporariamente, para seguirem os modismos? E se a arquitetura social virasse moda? Como você ousaria em descartá-la? O mundo capitalista jamais permitiria isso acontecer! Mas nós podemos. Comece você a cultuá-la.

Mãos à obra.