Só um quarto da classe C pensa em faculdade pública
Pouco mais de um quarto dos jovens da classe C (27%) planeja prestar vestibular para universidades públicas, enquanto 37% pretendem fazer uma faculdade, e esta pode ser uma instituição particular. Os dados são do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) e foram divulgados na última terça-feira (5).O Ibope perguntou aos 20 mil entrevistados se concordavam com as seguintes afirmações: pretendo ingressar em alguma faculdade e pretendo prestar vestibular em alguma universidade pública.
O resultado mostra que os vestibulandos da classe C têm planos de cursar o ensino superior, mas eles não estão inclinados a tentar instituições como USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e as universidades federais.
Para especialistas ouvidos pelo R7, os números revelam que esse grupo está mais preocupado em estudar para conseguir uma boa colocação no mercado do que para obter uma formação acadêmica. Maria do Carmo Peixoto, professora da Faculdade de Educação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), classifica como "pragmática" essa decisão.
"Do jeito que anda o mercado de trabalho, em expansão e com oferta, o ensino superior privado é uma possibilidade de buscar um trabalho novo sem o grau de concorrência que as instituições públicas exigem".Ela cita a UFMG como exemplo de alta concorrência. Diz que a instituição tem, no total, cerca de 70 mil candidatos para 6.000 vagas.
Universidade pública para as elites
Arthur Costa Neto, vice-presidente da União de Conselhos Municipais de Educação do Brasil, afirma que, muitas vezes, o vestibular é uma barreira maior no caso das universidades públicas.Ele diz que, de certa forma, as melhores universidades públicas do país são dominadas por alunos de famílias mais ricas, que passam a vida escolar se preparando para a prova de admissão.
"O vestibular sempre foi muito difícil. Na prática, se você for analisar, o vestibular só existe na escola pública. Na particular, a oferta é tão grande que quase não há disputa".Desta forma, diz ele, o acesso a uma instituição particular acaba sendo mais fácil, pois a pessoa tem mais flexibilidade para entrar - podendo fazê-lo inclusive quando já está trabalhando.
Maria do Carmo acrescenta que o aumento do interesse da classe média pelo ensino superior traz outra expansão: a da pós-graduação. Com isso, a preocupação sobre fazer ou não uma faculdade particular acabaria, pois o aluno sabe que precisa de um diploma para começar a carreira, mas que pode compensar, com especializações na área, o estudo em uma instituição sem o status de uma USP.
A pesquisa do Ibope foi feita em nove regiões metropolitanas do país, no interior de São Paulo e em cidades do interior de Estados nas regiões Sul e Sudeste. Nessas áreas, vivem cerca de 32 milhões de pessoas da classe C brasileira. Os entrevistados têm entre 12 a 64 anos, e foram ouvidos entre fevereiro de 2009 e janeiro deste ano. Cada um deles respondeu a cerca de mil questões para completar o estudo.
Fonte:R7
