Bancários recusam reajuste de 6,5% proposto pelos bancos
A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) ofereceu neste sábado (09) um aumento de 6,5% para os bancários encerrarem a greve, que já dura 11 dias. A categoria, entretanto, considerou a proposta insuficiente, recusou um acordo e marcou para a próxima segunda-feira (11) outra reunião para retomar as negociações. Com isso, a paralisação continua e, pelo menos, 8.278 agências, ou cerca de 43% do total, deverão permanecer fechadas.
O reajuste oferecido pelos bancos se restringe aos funcionários que ganham até R$ 4.100. Para quem ganha mais que isso, as instituições financeiras ofereceram um aumento fixo de R$ 266,50. Os empregados das instituições financeiras reivindicam reajuste de 11% nos salários, aumento do PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e contratações de novos funcionários.
Além do aumento do salário, os bancários pedem ainda maior segurança no trabalho, valorização do piso da categoria e fim do assédio moral durante o expediente.
A discussão sobre o piso da categoria também avançou. Hoje o salário mínimo do bancário é de R$ 1.074, e os bancos se dispuseram a aumentar o valor para R$ 1.180, o que representa reajuste de 9,82%, mas, assim como o reajuste salarial, a proposta não agradou aos bancários.
O piso da categoria deveria seguir o salário mínimo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), estimado em R$ 2.047,58 em setembro, segundo Juvândia.
Quanto ao PLR, os bancos propuseram aumentar em 6,5% o valor do benefício em relação ao valor do ano passado. Para o presidente da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), que é ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores), o índice é "muito rebaixado".
- Os bancos precisam aumentar a distribuição da PLR em relação ao ano passado, uma vez que os lucros cresceram.
Segurança e assédio moral
Os bancários reivindicam também melhores condições de segurança enquanto trabalham. De acordo com Juvândia, os principais pedidos são acompanhamento médico no caso de assaltos e transparência dos bancos em relação às ocorrências policiais.
- Pedimos que, quando houver um assalto a uma agência, o banco mande para a unidade um médico e um psicólogo para fazer o monitoramento dos funcionários. Também queremos que os bancos apresentem as estatísticas de assaltos e sequestros todo semestre. Por fim, defendemos a obrigatoriedade do registro do boletim de ocorrência quando tem um assalto na agência, porque nem sempre isso acontece.
O assédio moral dos chefes em relação aos subordinados é outro ponto que ainda gera divergências entre bancos e grevistas. Sobre o tema, a presidente do sindicato afirmou que é fundamental que eles "avancem" e tentem "construir um instrumento para acabar com o assédio moral".
Segundo pesquisa Contraf-CUT, 18 pessoas foram mortas em assaltos que envolveram bancos em todo o país nos primeiros nove meses deste ano - ou seja, média de duas mortes por mês. Entre as vítimas fatais, estão sete vigilantes, um bancário e seis clientes.
Fonte: R7
