Mundo

11/09/2009 às 09h20

Ataques com seringas e rumores se espalham na China

Redação Portal A8

Os misteriosos ataques com seringas se espalharam para outras cidades da turbulenta região de Xinjiang, no oeste da China, disse na sexta-feira o jornal China Daily, embora novamente pareça haver uma mistura de casos reais e imaginários.

Quase 600 moradores de Urumqi, capital de Xinjiang, disseram ter sido agredidos com agulhadas nas últimas duas semanas, levando a grandes manifestações da etnia han.

Nove suspeitos foram detidos nas cidades de Hotan, Altay e Kashgar, segundo o China Daily.

Dos nove ataques relatados em Hotan, só três pessoas foram realmente espetadas. Em Altay, quatro dos cinco casos foram falsos alarmes, como três dos cinco em Kashgar, segundo o jornal, citando fontes oficiais locais.

A imprensa estatal e as autoridades atribuíram os ataques de Urumqi a separatistas islâmicos da etnia uigur.

Em 5 de julho, uma manifestação de uigures desencadeou um distúrbio em que 197 pessoas morreram, a maioria chineses da etnia han. Dois dias depois, os hans começaram a se vingar.

Desde então, Urumqi está com acesso interrompido à internet e a telefonemas internacionais, e com restrições nas mensagens de texto, numa tentativa de evitar que a violência se repita. Em compensação, os rumores se difundem.

As autoridades solicitaram a prisão de 295 pessoas pelos distúrbios de cinco de julho, e 51 pessoas foram indiciadas por 14 crimes, disse na sexta-feira a agência de notícias Xinhua.

Uma mensagem de texto transmitida pela polícia desencadeou a onda de relatos sobre os ataques com seringas em Urumqi. Cinco pessoas morreram nos distúrbios da semana passada, e dezenas de milhares de hans foram às ruas exigir a demissão do poderoso secretário regional do Partido Comunista, Wang Lequan.

"Recentemente, vários moradores foram atacados com seringas hipodérmicas. A polícia local também descobriu um caso em que os agressores usaram seringas para atacar transeuntes," disse a mensagem de texto enviada a moradores da cidade em 31 de agosto.

"Por favor, não entrem em pânico por causa do incidente, e informe aos policiais se você encontrar qualquer suspeito," prosseguia.

O pânico, no entanto, se instalou. Até 4 de setembro, 4.513 pessoas já haviam comparecido a delegacias para dizerem que haviam sido espetadas ou apunhaladas. Elas foram submetidas a exames relativos a Aids, hepatite e doenças sexualmente transmissíveis. Desde então, pelo menos outros 77 ataques foram relatados.

Em 3 de setembro, um uigur foi agredido por uma multidão depois de ser acusado de espetar uma mulher. A ambulância que o levava ao hospital também foi atacada. No mesmo dia, cinco pessoas morreram nas manifestações.

Agora, o governo baixou ordens punindo quem difunde boatos e proibindo os cidadãos de agredirem suspeitos, num sinal de que as autoridades municipais tentam conter a crise que elas próprias iniciaram.

A maioria dos casos parece ser um simples sintoma de histeria. Até 4 de setembro, só 106 pessoas tinham sintomas de agressões reais. Médicos disseram que algumas pessoas tinham picadas de alfinetes ou agulhas de costura, não de seringas. Outras marcas eram mordidas de insetos.

Fonte: Reuters