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11/09/2009 às 09h10

11/09: `Desafio é convencer de que guerra é necessária`

Redação Portal A8

 

Desafio é convencer de que guerra é necessária (AP)

Oito anos após os atentados promovidos pela Al-Qaeda contra os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, os maiores desafios da guerra contra o terrorismo são a busca por uma estratégia adequada de combate aos extremistas e convencer a sociedade americana de que o conflito no Afeganistão é necessário. Barack Obama agora enfrenta as consequências de sua retórica mais branda em relação ao seu antecessor, George W. Bush, e precisará aumentar o número de soldados no front afegão correndo o risco de se desgastar perante a opinião pública americana.

Obama tenta convencer a sociedade de que a missão no Afeganistão é uma guerra necessária, já que o terrorismo e o extremismo islâmico representam uma ameaça global. Para Heni Ozi Cukier, professor de Relações Internacionais da ESPM, Obama não tem outra escolha senão aumentar o envolvimento americano no conflito, mas não conseguiu até agora impor nenhuma mudança radical.

A falta de uma estratégia adequada complica ainda mais a situação no Afeganistão e até mesmo dentro dos EUA, já que a população americana não vê resultados concretos. "Bush envolvia a sociedade apelando para a questão do medo, da ameaça contra a segurança - e era muito criticado por isso. Porém, de certa forma, tinha resultado. Obama deve encontrar cada vez mais dificuldade para convencer a opinião pública de que está é uma guerra necessária", diz o especialista.

"A população não tem o entendimento complexo de estratégia, e nem tem como ter. O que ela quer? Que menos soldados morram, que seus familiares não morram, ver que a situação do país está melhorando. O que ela escuta? O oposto disto. Cada vez mais os afegãos são contra a presença dos americanos no país, os aliados querem retirar as suas tropas do conflito. A sociedade é imediatista, quer resultado. Se não o vê, questiona os motivos que levaram à guerra".

A falha estratégica foi apontada nas últimas semanas por comandantes americanos no Afeganistão como a principal causa para a ineficácia dos combates e o avanço do Taleban no país. O professor aponta que ações conjuntas, coordenadas e em longo prazo são necessárias para estabilizar a nação asiática. "É um país que não tem autoridade central. Cada tribo, cada grupo que as forças do Ocidente enfrentam, precisa de uma tática individual, uma abordagem especial".

"É preciso um grande número de soldados em combate e isso é difícil, principalmente quando a comunidade internacional não quer ser corresponsável pelo problema. Os europeus e muitos outros só falam em retirar tropas. Sem o aumento do número de soldados, a Força Aérea não tem condições de combate. Isso tem consequências, como a morte de muitos civis, provocando a perda do apoio da população local. Com mais soldados, é possível evitar a morte de civis e o desprezo da população".

Cukier lembra ainda que os EUA encaram atualmente os dilemas de todos que se envolveram com o Afeganistão desde os tempos da União Soviética. "É uma região tribal, totalmente fragmentada. Eles lidam com fatores culturais, religiosos. A identidade tribal está enraizada na cultura afegã, então vai demorar bastante tempo para se criar uma identidade nacional".

Construir instituições e um governo, com uma estrutura de Estado que seja capaz de prover os serviços básicos, além de garantir a segurança dos civis, também são essenciais para estabilizar o país. Além disso, é preciso envolver a sociedade na tomada de decisões. "Antigamente, os americanos construíam uma escola. Então, os militantes destruíam o local para atacar uma coisa do inimigo. A partir do momento em que a comunidade é envolvida e participa da construção, o terrorista vai destruir algo que é de todos. A população, então começa a rejeitar esse tipo de ação".

Cukier ressalta que Estados falidos são um terreno fértil para que grupos extremistas encontrem abrigo, como acontece não só no Afeganistão e no Paquistão, mas também no Oriente Médio e norte da África. Por isso, o ideal seria que o combate ao terrorismo objetivasse a estabilização no mundo todo, o que é uma coisa muito mais complexa. Além disso, o fato de nenhum outro atentado ter sido realizado em solo americano nesses oito anos não significa que os militantes islâmicos tenham perdido força. Pelo contrário, a Al-Qaeda e seus aliados continuam se organização e atuando nessas regiões sem governabilidade.

 

Fonte: Estadão