Mundo

02/09/2009 às 12h32

Colômbia manterá operações militares para salvar reféns das Farc

Redação Portal A8

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que seu país "nunca renunciará" às operações militares de salvamento de reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e acusou o grupo de não aceitar trocar reféns por guerrilheiros.

Em entrevista publicada nesta terça-feira no jornal francês "Le Figaro" Juan Manuel disse que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, "quer que sejam localizados os grupos da guerrilha que estão com os seqüestrados para poder observá-los e assim negociar a libertação dos reféns com a mediação da Cruz Vermelha Internacional".

O ministro colombiano afirmou ainda ter dito às Farc que a Colômbia "está disposta a negociar um acordo de Paz". Segundo Juan Manuel a troca humanitária não interessa às Farc, o que pode ser comprovado pelo fato de o grupo revolucionário ainda não ter divulgado a lista de guerrilheiros que o governo deseja que seja libertado.

Com relação à Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Farc em fevereiro de 2002 e cujo estado de saúde --segundo testemunhas-- é grave, Juan Manuel afirmou que sua situação é responsabilidade da guerrilha.

"Se acontecer o pior, o mundo deve saber que os únicos responsáveis por esse drama são as Farc. O governo colombiano fez todo o possível para preservar a vida de Ingrid e facilitar sua libertação", disse o ministro colombiano.

Libertação - Para Juan Manuel, a eventual morte de Betancourt seria "lamentável e muito contraproducente para as Farc" e assinalou que se a guerrilha tiver um pouco de "humanidade" deveria libertá-la "imediatamente".

O ministro colombiano afirmou que o governo não vai cessar o combate contra as Farc por causa dos reféns, porque tem "a obrigação constitucional de defender os colombianos contra os danos das Farc, que assassinam, recrutam crianças e colocam bombas e minas".

Durante a entrevista o colombiano negou que na operação que causou a morte do número dois das Farc, Raúl Reyes, tenha contado com a participação de soldados americanos e que a localização do acampamento guerrilheiro tenha sido feita a partir de uma chamada telefônica ligada às negociações por um acordo humanitário.

Ele afirmou que as Farc têm "bases permanentes" no Equador e Venezuela e destacou que o acordo assinado recentemente com estes países gera "uma melhor colaboração para lutar contra os grupos armados".

"Esperamos que o Equador e Venezuela apliquem estes acordos", disse Juan Manuel.

Marido

Nesta segunda-feira, o publicitário Juan Carlos Lecompte, marido da franco-colombiana, disse que Betancourt é a seqüestrada mais humilhada pelos guerrilheiros. "Os que recuperaram sua liberdade dizem que ela se mantém firme em suas convicções, que a humilham e ela confronta a guerrilha, e por isso, ela é a que mais maltratam", disse Lecompte, 45, durante gravação de entrevista para o "Programa do Jô", da Rede Globo.

Na semana passada, o governo colombiano anunciou que, se as Farc libertarem Betancourt, dará por iniciado o acordo humanitário para a troca de reféns por rebeldes presos. A afirmação de Bogotá, que representa uma mudança da posição adotada até o momento, foi divulgada após as notícias de que o estado de saúde de Ingrid é muito grave.

"Há uma versão oficial do governo colombiano de que ela foi vista em um posto de saúde, e que estava muito mal, em um estado deplorável, delicado, e deve ser levada a um hospital", afirmou Lecompte. "Por isso essa urgência pela busca de ajuda para libertá-la."

O colombiano pediu ainda a intervenção do presidente Lula. "Se o presidente Lula se envolver --o Brasil é a potência da América Latina, é nosso vizinho--, ele pode falar com o governo colombiano, pode falar com a guerrilha, pode incidir no problema", afirmou ao programa.

Ingrid Betancourt, 46, foi seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002, quando fazia campanha à Presidência como candidata pelo Partido Verde. Desde então, a França passou a intervir na questão dos reféns da guerrilha a fim de conseguir sua libertação.

Fonte: Folha Online (01/04/2008)