Mundo

16/03/2009 às 10h18

Ex-guerrilha vence eleições presidenciais em El Salvador

Vitória do esquerdista Mauricio Funes, da FMLN, rompe monopólio de 17 anos do partido conservador, Arena

Redação Portal A8

Candidato de esquerda em El Salvador proclama vitória e chama país à unidade (AP)
O esquerdista Mauricio Funes, do partido formado pela antiga guerrilha marxista FMLN (Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional), venceu as eleições presidenciais deste domingo, 15, em El Salvador. Funes derrotou o candidato do partido conservador, Arena (Aliança Republicana Nacionalista), Rodrigo Ávila. A Arena havia vencido todas as eleições presidenciais desde o fim da guerra civil no país, em 1992.

"Esta é a noite mais feliz da minha vida, e eu quero que seja a noite de maior esperança para El Salvador", disse Funes a seus partidários. Funes ressaltou o caráter histórico da vitória, como representante de uma organização que passou de grupo guerrilheiro a partido político depois dos acordos de paz que puseram fim a 12 anos de guerra civil. "Pela primeira vez chegam à presidência e vice-presidência os candidatos apresentados por um partido de esquerda (...) Com esta base também daremos uma nova direção à gestão presidencial."

Mais de 90% dos votos já foram apurados e, de acordo com o Supremo Tribunal Eleitoral, Funes obteve 51,27% dos votos, enquanto Ávila ficou com 48,73%. O partido da FMLN foi fundado por combatentes da guerra civil, que matou cerca de 70 mil pessoas. Funes, um ex-jornalista de televisão, rompe uma tradição - ele é o primeiro entre os líderes do partido a não ter participado da luta armada, disse o correspondente da BBC em El Salvador, Stephen Gibbs.

Durante a campanha, Funes apresentou propostas políticas moderadas e destacou que pretende manter boas relações com os Estados Unidos, e se disse próximo a Lula e à presidente do Chile, Michelle Bachelet. Ele rejeitou sugestões apresentadas por Ávila de que sob sua administração El Salvador se tornaria um satélite da Venezuela. Partidários de Ávila, ex-chefe da polícia civil, qualificaram os integrantes do FMLN como "comunistas".

Segundo o correspondente da BBC, o vencedor da eleição presidencial deste domingo irá governar um país que tem uma das mais altas incidências de assassinato do mundo e uma economia que foi duramente atingida pela crise mundial.

O país ainda não se recuperou da guerra civil que deixou uma herança de violência. A incidência de assassinatos em El Salvador é de 67,8 para cada 100 mil habitantes. A média dos demais países latino-americanos é de 24,8 assassinatos para cada 100 mil habitantes. O assassinato de dois simpatizantes do FMLN, dias antes da votação em Nejapa, ao norte da capital San Salvador, aumentou a tensão no país.

Fonte: BBCBrasil.com