Esportes

04/05/2010 às 20h47

Charangas, apitos e “vovuzelas” estão liberados nos jogos

Redação Portal A8

As torcidas dos clubes sergipanos podem a partir desta data animar, incentivar suas equipes e mobilizar seus torcedores com charangas, buzinas, apitos e as cornetas conhecidas como "vovuzelas", nos jogos realizados no Batistão. Foi o que ficou definido na Audiência Pública desta terça-feira 4, na sede do Ministério Público Estadual.

Foi muito difícil chegar a essa conclusão, porque o Coronel Maurício Iunes, representante da Policia Militar fazia questão de deixar bem claro nas suas intervenções, que era contrário ao retorno das charangas aos estádios. "Trata-se de um retrocesso. A violência é fato. A experiência me faz ver, que é um caminho aberto para as aglomerações, culminando com o retorno da violência aos estádios. Com certeza a Policia não será omissa, mas vamos reviver os casos de violência", preconiza Mauricio Iunes.

A reunião que contou com as presenças do promotor público Deijaniro Jonas, do comandante do Policiamento Militar da capital, Coronel Maurício Yunes, do presidente da Federação Sergipana de Futebol (FSF), Carivaldo de Souza, do secretário de Estado do Esporte e do Lazer, Mauricio Pimentel, do vereador Fabio Mitidiere, além da imprensa e dirigentes de clubes, teve como objetivo discutir e corrigir os excessos registrados contra torcedores no Estádio Lourival Baptista, no cumprimento da medida do Juiz Marcos Pinto, que proíbe a presença das torcidas organizadas nas praças de esportes.

Deijaniro Jonas destacou a estatística revelada pelo coronel Maurício Yunes, de que houve uma redução de 85% nas incidências no local dos jogos e redondezas. "A medida judicial trouxe conseqüências, e para alguns foi até revoltante, mas não podemos negar que surtiu efeito", afirmou, destacando os comentários positivos recebidos por email da população, que elogiou as novas formas de atuação. "Pode haver vários caminhos, mas a linguagem é a mesma: a paz nos estádios voltou, junto com a alegria do torcedor", destacou.

O secretário Maurício Pimentel, defensor da presença das charangas, disse que um dos grandes problemas do futebol ainda é a violência, mas está disposto a fazer de tudo, para que a paz volte a reinar nos campos. "Ano passado nós criamos a campanha ‘Estádio é Lugar de Família` e foi um belo trabalho. Apesar de ter sido um longo processo, começamos a caminhar para promover o bem estar dos torcedores", destacou.

De acordo com o secretário, sua atuação como representante do povo não lhe permite parar de ouvir o desejo das pessoas. "O índice de violência diminuiu é fato. Mas não posso ignorar o clamor dos torcedores de bem, que querem ir aos estádios para se distrair, ter lazer e se divertir em família e incentivar suas equipes, com charangas e buzinas", afirmou, ressaltando ser a favor de que haja a liberação da comemoração, mas com atenção a qualquer índice, que mude as atuais estatísticas.

Já o coronel Maurício Yunes afirmou ser inviável qualquer atitude, que venha mudar o que já foi decidido, pois, segundo ele, os índices demonstram que a segurança e a ordem pública foram estabelecidas. "A Polícia Militar não irá se responsabilizar pelas novas mudanças. Se fatos ruins surgirem é bom que a população lembre, que a nossa postura não mudou", disse,

O coronel alegou, ainda, que quando algo ruim acontece, todos culpam a polícia. "O que for acordado deve ser cumprido, mas que haja rigor nas ações. Não vejo motivo de mudar algo que atingiu seu objetivo. Mas para quem acha que liberar as charangas será a solução, só digo que isso é um engano, porque esta vai ser uma nova porta para a violência ressurgir", reafirmou.

O debate se prolongou por toda a manhã, com manifestação dos presidentes Milton Dantas, do Confiança e Ernando Rodrigues, do River Plate, do vereador Fabio Mitidiere e do radialista Tony Chocolate, que falou em nome da imprensa.

Depois do longo debate, a sugestão do secretário Mauricio Pimentel foi aceita e fez parte do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) resultado da Audiência Pública. Dessa forma, ficou definido que cada clube tem direito a levar uma charanga, composta por 8 músicos, cujos nomes serão cadastrados e entregues previamente, ao comandante do destacamento ou ao representante da FSF no estádio. Os clubes serão responsáveis por essas charangas. Fica autorizado o uso das cornetas, apitos e "vovuzelas", de forma individual.

- As referidas charangas não podem caracterizar torcidas organizadas. Caso sejam registrados conflitos, reiterando atos de violência essa posição será revista, podendo se voltar à situação anterior", concluiu Mauricio Pimentel na sua sugestão, que contou com a anuência dos presentes, exceto o representante da Policia Militar.