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21/05/2011 às 10h31

RPM volta e mistura clássicos com novas canções

Redação Portal A8

Os fãs do RPM sabem que não podem perder oportunidades de ver a banda se apresentando ao vivo, como aconteceu nessa sexta-feira (20), em São Paulo, no Credicard Hall. É que com Paulo Ricardo e cia. nunca se sabe quando será o último show, embora este tenha sido apenas o primeiro desde o alardeado retorno no início deste ano com a formação original.

O grupo já foi e voltou tantas vezes que a credibilidade é quesito bem questionável. Apesar disso, quando os quatro integrantes se transformam na banda, conseguem ganhar força e fica evidente que ninguém quer vê-los novamente em carreira solo.

O show começa climático, com uma tela transparente em frente ao palco com projeções de luz. A estrutura metálica sobre o grupo, mais as roupas pretas e a muralha de teclados que cerca Luiz Schiavon remetem imediatamente aos anos 80, lembrando um pouco clipes do Duran Duran, tipo Wild Boys.

A primeira música foi a nova Muito Tudo, com batida dançante e letra dizendo que vivemos num mundo com informação demais. A segunda foi Dois Olhos Verdes, mais uma da nova safra e que traz um refrão semi pegajoso. Não dá para dizer que estas canções levantaram o público formado por trintões e quarentões confortavelmente instalados nas mesas que tomavam o lugar da pista.

Parecia um pouco óbvio que os fãs estavam ali para ouvir mesmo os antigos hits. E o primeiro da noite surgiu apenas na quinta canção, a clássica Louras Geladas. A seguir o grupo emendou uma sequência de lados B de seu álbum de estreia, Revoluções Por Minuto. Assim surgiram A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade, Juvenília e Liberdade/Guerra Fria. Mais anos 80 impossível.

Nesta primeira parte do show, o RPM mostra que continua bem afiado como grupo, com cada integrante exibindo sua importância sobre o palco. Obviamente que Paulo Ricardo é quem continua chamando mais atenção e, com quase 50 anos, ele comanda as ações com ou sem seu contra-baixo e dançando sobre passarelas suspensas, quase lembrando um George Michael tropical.

Pouco depois da metade, o show deu uma caída com uma sequência não muito feliz. Os maiores equívocos do repertório estão na versão de Exagerado (hit de Cazuza) e em Onde Está Meu Amor?. A primeira é uma homenagem ao ex-Barão Vermelho mas que simplesmente não combina com o RPM. O grupo já havia gravado a canção no álbum ao vivo de 2002 e foi muito criticada na época. A outra também é do CD de 2002 e lembra muito a famigerada fase romântica de Paulo Ricardo. O show ganharia muito se estas canções, mais Flores Astrais e Vida Real fossem trocadas por outras. Poderia ser colocada no lugar material do disco conhecido como Quatro Coiotes, por exemplo, que simplesmente não tem representante no concerto.

A coisa só decola novamente com as quatro últimas - Revoluções Por Minuto, Alvorada Voraz, Rádio Pirata e Olhar 43. Houve ainda um bis com a inédita Crepúsculo, seguida de Dois Olhos Verdes novamente, que é a música de trabalho.

Apesar de o show ser um pouco conservador do ponto de vista do repertório - com ainda pouco material inédito - a banda conseguiu empolgar seu público. Todos se levantaram das mesinhas já perto do final para dançar num Credicard Hall lotado.

Tudo isso nos deixa claro que o futuro do RPM está nas mãos de seus integrantes. O grupo pode se manter na ativa durante anos ainda, mesmo porque está bem claro que ninguém mais quer ver ninguém ali de novo em carreira solo. Talvez esta seja a última chance de manter viva a banda de maior sucesso do rock brasileiro e também preservar um pouco a paciência dos fãs.

 

Fonte: R7